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Pazuello não descarta vacina russa, mas diz que dados estão muito rasos

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

13/08/2020 11h41Atualizada em 19/08/2020 12h25

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, não descartou que o governo federal compre e disponibilize a vacina contra a covid-19 anunciada nesta semana pela Rússia. No entanto, ele declarou que a situação em torno dela "está muito incipiente" e as informações estão "muito rasas ainda".

Pazuello afirmou ter se reunido ontem em reunião virtual com o governador do Paraná, Ratinho Junior, representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da empresa que desenvolve a vacina e da embaixada russa no Brasil. O Paraná anunciou que firmará acordo com a Rússia para a produção da vacina.

"Tá muito incipiente. As posições estão muito ainda rasas. Não temos profundidade nas respostas. Não temos o acompanhamento de números. Pode até haver tudo isso, mas vai ter muita negociação, muito trabalho para que isso seja, de uma forma efetiva, digamos, avalizado pela Anvisa para que possamos discutir a compra", afirmou.

O ministro interino falou hoje à comissão mista do Congresso Nacional que acompanha o desenvolvimento da pandemia no país e ações do governo federal. O requerimento para que ele falasse aos parlamentares foi feito pelo senador Esperidião Amin (PP-SC).

Outras vacinas

Segundo Pazuello, o ministério acompanha todas as vacinas em desenvolvimento e disse que todas as iniciativas são válidas. A pasta considera a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca como a mais promissora até o momento.

O governo federal anunciou acordo de cooperação para a produção e a transferência de tecnologia dessa vacina britânica. A primeira fase do acordo envolve a compra pelo Brasil de 30 milhões de doses por US$ 127 milhões mesmo sem demonstração definitiva da eficácia dela. O governo defende o risco assumido pela urgência de se ter uma vacina.

A segunda fase envolve a compra de 70 milhões de doses, mas depende dos resultados futuros da vacina. Os lotes deverão ser entregues até janeiro de 2021.

Vacina russa

A vacina russa foi anunciada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, na terça-feira (11). O imunizante foi batizado de Sputnik V, em referência ao primeiro satélite a orbitar a Terra lançado pelos soviéticos em meio à corrida espacial vivida pela União Soviética e pelos Estados Unidos na Guerra Fria.

Os resultados de testes da vacina ainda não foram publicados e, por isso, há suspeitas sobre a efetividade dela. A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que a Rússia não precisa da aprovação do órgão para aprovar a vacina, mas que precisará ter acesso aos dados para avaliar a sua segurança.

Sem fim do coronavírus

Na audiência com os parlamentares, o ministro interino lamentou as mortes em decorrência da covid-19 no país. No entanto, não citou o número de óbitos, que já passa de 103 mil, e procurou ressaltar o número de recuperados - em torno de 2,3 milhões de pessoas.

Ao ser questionado sobre como será a situação da pandemia no Brasil no final do ano, Pazuello disse ser "a pergunta do milhão", mas ver o país "de forma diferenciada". Para ele, o coronavírus não vai ter fim, e os brasileiros chegarão com novos hábitos internalizados, como lavar as mãos frequentemente e evitar aglomerações.

"Não existe fim do coronavírus. O coronavírus veio para viver conosco. Então, vamos começar a nos lembrar disso. Não houve fim do H1N1, só se ele mutar para outro número. O coronavírus vai viver conosco também", falou.

Conforme o UOL mostrou, 22 estados e o Distrito Federal estão com os estoques de medicamentos para a intubação de pacientes graves da covid-19 no vermelho. Parlamentares questionaram o ministro sobre a regularização do abastecimento.

Pazuello falou que com um pregão eletrônico homologado ontem (12) espera "ter uma nova fase desse problema" e não negou a falta de remédios em meio à pandemia.

Em momento algum, eu vou dizer ao senhor que não faltou medicamento nesse ou naquele município ou naquele hospital. Sim, houve faltas. E, no momento em que as faltas chegaram para nós, nós fizemos o que podia ser feito e o que não podia ser feito para apoiar", disse.