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Covid: Fiocruz começa a produzir 100% da AstraZeneca no Brasil

Frascos rotulados como de vacina da AstraZeneca contra covid-19 em frente ao logo da empresa - Dado Ruvic/Reuters
Frascos rotulados como de vacina da AstraZeneca contra covid-19 em frente ao logo da empresa Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Do UOL, em São Paulo

10/01/2022 16h21Atualizada em 11/01/2022 07h31

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) começou a produzir hoje 100% da AstraZeneca, vacina contra a covid-19, em território nacional. A produção foi iniciada após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovar a modificação do registro do imunizante com a permissão da produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) pela Fiocruz no Brasil. Antes do aval, o IFA usado para a fabricação da vacina era importado, em geral, da China ou da Índia.

Na prática, a decisão faz com que o Brasil tenha a primeira vacina contra covid 100% nacional. Os imunizantes serão produzidos no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos, ou Bio-Manguinhos. Segundo comunicado divulgado pela Anvisa, estudos de comparabilidade demonstraram que "ao ser fabricado no país, o insumo mantém o mesmo desempenho que a vacina importada".

A Fiocruz assinou contrato para produzir a vacina AstraZeneca no Brasil, com direito à transferência de tecnologia. O processo para conseguir autorização da Anvisa para produzir o IFA nacional teve início ainda no ano passado.

Em maio de 2021, a Anvisa concedeu à Fiocruz um certificado de Boas Práticas de Fabricação do novo insumo, o que garante que a linha de produção cumpre com todos os requisitos necessários para a garantia da qualidade do IFA.

Desde então, a instituição produz lotes testes para submeter à Anvisa e já tem o equivalente a 21 milhões de doses em IFA nacional, em diferentes etapas de produção e controle de qualidade.

Em entrevista à CNN, o pesquisador da Fiocruz, Daniel Villela, explicou a importância da produção de uma vacina 100% nacional no momento atual da pandemia. "O caminho é esse: ter a produção do IFA localmente e ter essa autonomia, porque a vacinação é o melhor meio atualmente do controle da pandemia. As variantes aparecem por conta de mutações, algumas não levam a efeitos significativos e outras a OMS chama de 'preocupação', pode ser pela transmissibilidade maior, como a ômicron".

A vacina produzida pela Fiocruz foi desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. O imunizante recebeu registro definitivo para uso no Brasil em 12 de março de 2021.

O imunizante vinha sendo envasado no Brasil desde o início de 2021, mas com IFA importado da China. O acordo entre a fundação e a AstraZeneca previa a transferência de tecnologia para fabricação total no Brasil, porém o processo atrasou.

Doses nacionais devem ser entregues em fevereiro

A Fiocruz deve entregar o primeiro lote de vacinas contra a covid-19 feitas com o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) nacional em fevereiro. A informação foi dada pelo diretor da unidade Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, em entrevista à GloboNews na última semana.

"A gente aguardou a publicação pela Anvisa porque, no momento em que a gente envasa a vacina, começa a contar o prazo de validade. Semana que vem a gente começa a envasar, muito provavelmente no fim do mês, ou no começo do mês que vem, a gente já vai estar conseguindo entregar a vacina nacional", explicou Zuma.

*Com informações da Reuters