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31/03/2004 20h49

Orgasmo pode provocar dor de cabeça

Da Redação
Em São Paulo

Folha Imagem 
Anderson sofre dor de cabeça após o orgasmo 
A velha desculpa de dor de cabeça para evitar uma relação sexual agora pode ser comprovada cientificamente. De acordo com dados da Associação Brasileira para Prevenção da Enxaqueca, a chamada cefaléia orgásmica benigna afeta homens e mulheres e se caracteriza exatamente por fortes dores de cabeça que aparecem durante o ato. Segundo o relato de 70% dos pacientes que sofrem com o problema, a dor persiste após o fim da transa.

Segundo os pacientes, a dor de cabeça é intensa e aparece de repente poucos minutos antes do orgasmo. Atinge o pico no momento do gozo e só desaparece várias horas depois.

De acordo com o clínico geral e presidente da associação, Alexandre Feldman, a causa do problema decorre de uma interpretação inadequada do cérebro em relação aos sinais de dor. "É como se os neurotransmissores de um cérebro que está em desequilíbrio químico interpretassem o orgasmo como sendo uma sensação de dor", diz. Nesse caso, o orgasmo passa a ser um fator desencadeante da cefaléia, assim como a alimentação, a falta de sono e o stress.

O mecanismo dessa cefaléia encontra-se vinculado às alterações biológicas que acontecem no corpo durante a atividade sexual, como aumento da pulsação, da pressão arterial, tensão muscular e produção de serotonina. Segundo o médico, os estudos ainda não definiram a principal causa do problema. A cefaléia durante o orgasmo é geralmente relatada em situações como um novo relacionamento sexual, um novo local, uma nova posição. "São situações que podem ser interpretadas como stress, ocasionando o problema", explica.

A dor de cabeça provocada pelo orgasmo em geral afeta pessoas que já sofrem de enxaqueca mas, de acordo com Feldman "mesmo quem nunca teve uma dor de cabeça pode vir a apresentar algumas crises". Assim como a enxaqueca, o tratamento da cefaléia orgásmica está associado ao reequilíbrio da química cerebral, o que pode ser conseguido por meio de mudanças no estilo de vida relacionadas à alimentação, horas de sono, stress e prática de atividades físicas.

A cefaléia relacionada à atividade sexual tem muita importância, já que não apenas interfere na vida de quem a tem, mas também na do parceiro sexual. "O problema é ainda maior porque muitos desses pacientes envergonham-se do sintoma e não procuram ajuda médica, imaginando que não há nada a ser feito por eles", alerta o clínico.

Mais informações sobre a doença podem ser obtidas no www.enxaqueca.com.br.




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