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21/06/2005 10h45

Laboratório e organização vão pesquisar vacina contra Aids



LONDRES (Reuters) - O laboratório GlaxoSmithKline vai desenvolver uma vacina experimental contra a Aids em colaboração com uma instituição sem fins lucrativos, na primeira parceria público-privada envolvendo uma grande empresa na luta contra o vírus HIV.

Jean Stephenne, diretor da GSK Biologicals, unidade de vacinas do maior laboratório europeu, disse na terça-feira que o acordo com a Iniciativa Internacional para Vacina da Aids (IAVI, na sigla em inglês) vai acelerar as pesquisas.

O laboratório e a organização vão formar uma equipe conjunta de pesquisa e desenvolvimento. O IAVI dará verbas e assessoria técnica, e em troca a Glaxo se compromete a vender a eventual vacina a preços acessíveis em países pobres.

Esse tipo de parceria é cada vez mais comum no combate a doenças, como malária e tuberculose, de maior prevalência em países pobres, nos quais as empresas farmacêuticas das nações desenvolvidas vêem pouca perspectiva de lucros.

Há cerca de 40 milhões de portadores do vírus HIV, dos quais quase dois terços na África subsaariana, segundo a ONU. A doença já matou quase 30 milhões de pessoas, e a cada ano 5 milhões são contaminadas.

A nova pesquisa da Glaxo usa adenovírus de chimpanzés inativos para colocar proteínas do HIV nas células e desencadear uma reação imunológica.

A empresa acredita que o vírus do primata pode ser mais eficaz, pois contra ele as pessoas não terão resistências preexistentes que poderiam impedir os vírus humanos de servirem como "mensageiros" da vacina.

Mas ainda vai demorar muito para que esta parceria gere frutos, pois os primeiros testes clínicos ainda estão a vários anos. Analistas dizem que, mesmo se tudo der certo, uma vacina comercial só estará disponível após uma década.

Stephenne afirmou que a Glaxo está buscando outras tecnologias para a vacina contra a Aids, sendo que a mais avançada está atualmente na primeira fase dos testes clínicos. O fato é que a vacina definitiva provavelmente combinará mais de uma abordagem, segundo ele.

A Glaxo está atrás de suas concorrentes na busca por uma vacina que impeça a contaminação pelo HIV e eventualmente trate pacientes já infectados. A norte-americana Merck começou neste ano a fase dois de testes clínicos baseados em um adenovírus humano enfraquecido, semelhante ao vírus do resfriado comum. A Sanofi-Aventis e a Choron também trabalham em pesquisas nessa área.

Ao todo, mais de 30 possíveis vacinas estão sendo submetidas a testes em todo o mundo, mas os cientistas não estão muito confiantes de que alguma delas seja realmente eficaz. O desafio é particularmente complicado porque o HIV atinge o sistema imunológico e sofre mutações muito frequentes.

"Este acordo demonstra o tipo de colaboração entre os setores público e privado que é essencial para reforçar as pesquisas e desenvolver novas vacinas contra as doenças infecciosas mais devastadoras do mundo", disse a secretária britânica para Desenvolvimento Internacional, Hilary Benn.

Em julho, a Grã-Bretanha deve propor na cúpula do G8 a criação de ferramentas financeiras, como fundos e compras antecipadas, para incentivar o desenvolvimento de medicamentos contra doenças que devastam os países pobres.

(Por Ben Hirschler, com reportagem adicional de Mark Potter)






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