
25/06/2003 12h32

O grande problema da produção de cocaína continua sendo a Colômbia (ONU)


O grande problema da produção de cocaína no mundo continua sendo a Colômbia, que é responsável por 75% do volume em circulação, apesar de a produção ter diminuído sensivelmente no último ano graças à repressão ao cultivo da folha de coca, segundo o informe anual da Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (ONUDC), divulgado esta quarta-feira.
Cerca de 14 milhões de pessoas no mundo são viciadas em cocaína. Entre os três maiores fornecedores da droga, a Bolívia representa atualmente menos de um décimo da produção mundial, e o Peru conseguiu reduzir em 60% os cultivos de cocaína em relação a 1995.
Para a ONU, o grande problema continua sendo a Colômbia, onde a produção de cocaína quintuplicou entre 1993 e 1999, apesar de, em 2002, pelo segundo ano consecutivo, ter reduzido em 37%.
Além disso, de novembro de 2001 a dezembro de 2002, a superfície cultivada com coca na Colômbia passou de 145.000 a 102.000 hectares, ou seja, houve uma redução de 30%.
No Peru, existiam ainda 52.500 hectares de coca no final de 2002 e, na Bolívia, depois de uma diminuição constante entre 1996 e 2000, a superfície aumentou 23% pelo segundo ano consecutivo (24.400 hectares).
No total, Bolívia, Peru e Colômbia conseguiram reduzir 22% do volume total de terras utilizadas para o cultivo da folha de coca. Se esta tendência for confirmada, implicará uma transformação radical do sistema da oferta mundial de cocaína.
Em todo o mundo, a superfície cultivada passou de 211.000 a 173.000 hectares no final de 2002, o que representa uma redução de 18%.
Segundo a ONU, no lado dos consumidores, o maior sinal positivo é que nos Estados Unidos, para onde se dirige a maior parte da oferta, o número de consumidores tende a estabilizar-se, principalmente entre os estudantes.
No entanto, o uso de cocaína aumenta na América do Sul e os traficantes de drogas encontraram novos mercados na Europa, onde as apreensões de droga por parte da polícia duplicaram entre 1998 e 2001.
O aumento das apreensões de maconha, da ordem de 40% entre 1998 e 2001, permite deduzir que houve um aumento do consumo e da produção dessa droga, a mais procurada no mundo.
Mas a ONU destaca que nos Estados Unidos o uso de maconha diminuiu 10% em 2002 em relação a 1997 e 30% em relação aos anos 70 entre os alunos do ensino secundário.
Por outra parte, o mercado de drogas sintéticas, como anfetaminas e ecstasy, continua crescendo, apesar do desmantelamento de laboratório no mundo inteiro nos últimos anos, em proporções jamais atingidas anteriormente.
A Europa, com a Holanda, Polônia e Bélgica na liderança, continua sendo o centro mundial da produção clandestina, que também aumenta no leste do continente.
No total, cerca de 200 milhões de pessoas consomem drogas no mundo, sendo que 163 milhões usam maconha, 34 milhões anfetaminas, 8 milhões ecstasy, 14 milhões cocaína e 15 milhões opiáceos (10 milhões usam heroína).
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