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03/11/2004 17h07

Peptídeos e enzimas se unem no combate às "superbactérias"

Da AFP
Em Washington

Diante da resistência crescente de organismos microbianos aos antibióticos, os cientistas apontam o uso de enzimas e peptídeos no combate às infecções, especialmente as causadas por "superbactérias" que proliferam em prisões e hospitais.
"Diante da diminuição alarmante da eficiência dos antibióticos e a baixa quantidade de novos medicamentos deste tipo, nos esforçamos por desenvolver substâncias alternativas para tratar ou controlar as infecções bacterianas", explicou o professor Richard Novick, durante o congresso mundial sobre agentes antimicrobianos, que se encerrou nesta semana em Washington, D.C.
A estratégia se baseou na descoberta de que a produção de toxinas pelo Staphylococcus aureus - responsável pelo forte aumento de infecções fatais em hospitais e prisões de todo o mundo - é controlada por um gene regulador, disse.
Uma mutação desse gene fragiliza e inclusive elimina a toxicidade deste tipo de bactéria, que nos últimos anos se tornou resistente a todos os antibióticos, o que lhe rendeu apelidos como "bactéria assassina".
A bactéria ativa este gene por meio de peptídeos (moléculas formadas por aminoácidos).
A equipe de microbiologistas dirigida por Novick na Facultade de Medicina da Universidade de Nova York produziu uma versão alterada deste peptídeo que impede que o estafilococo produza toxinas, sem destruí-lo.
A injeção de uma dose destes peptídeos bloqueia por mais de 3 horas o desenvolvimento de uma infecção pela bactéria induzida em ratos. Isto dá tempo para que os glóbulos brancos - exército que forma a defesa natural do organismo - destruam as bactérias, explicou Novick. Além disso, afirmou, há poucos casos de desenvolvimento de resistência a peptídeos nas bactérias.
Outra linha de pesquisa na luta contra as bactérias estuda o uso de proteínas produzidas por vírus bacteriófagos para destruir os estafilococos.
Os bacteriófagos penetram na célula bacteriana, replicam a si mesmos e depois produzem enzimas que as destroem para se liberarem.
"São enzimas muito evoluídas que matam as bactérias de forma rápida, seletiva e eficaz", disse Vincent Fischetti, da Universidade Rockefeller de Nova York.
Segundo ele, uma das aplicações destas enzimas - muito fáceis de produzir - é descontaminar funcionários de hospitais, creches, asilos de idosos para evitar um eventual contágio por Streptococcus pneumoniae ou Staphylococcus aureus, que se alojam no nariz e na garganta.
As enzimas que matam bactérias podem ser administradas por via oral ou nasal, em função de experiências com ratos. Além disso, experiências demonstraram que estas enzimas podem destruir bactérias presentes no sangue.
"Se reduzirmos de forma importante a quantidade de bactérias transportadas por indivíduos que trabalham ou visitam locais cheios de pessoas suscetíveis - doentes, idosos, crianças pequenas -, os riscos de infecção diminuirão ou até mesmo desaparecerão", disse Fischetti.
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