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Reuters
Pode parecer impossível, mas, nesta escultura de Eduard Kazaryn, muitos camelos passam pela agulha
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Talvez o internauta não saiba, mas o UOL Tablóide vive recebendo cartas comovidas. Algumas chegam por e-mail, outras pelo correio, outras por SMS (essas, na verdade, são mais curtinhas).
Vez ou outra, o Editor do UOL Tablóide dá-se ao trabalho de digitar elas todinhas. Quando elas merecem.
Hoje mesmo, chegou uma cartinha à redação. O autor, que pediu para não ser identificado, gostaria que esta seção publicasse uma crítica a determinado comportamento anti-social. O Editor achou que a crítica tava pronta e resolveu transcrevê-la na íntegra:
"Caro Editor do UOL Tablóide,
Gostaria de sugerir que o senhor, um respeitável jornalista de barbas azuis, criticasse essa mania tão brasileira, de só querer aparecer quando está por cima.
Tipo assim: tem atleta de Olimpíada que, antes de ir à China, abria a mala e mostrava tudo o que tinha para a equipe de televisão. Protetor solar, foto da namorada, meia soquete. Até a cueca do cidadão, que ele garantia ser GG (eu, na verdade, duvido).
Daí, o atleta chega a Pequim e não faz bonito. Oquei, ninguém é obrigado a vencer. Também ninguém é obrigado a agüentar repórter incentivando o fracasso alheio, dizendo que o importante é competir, né?
Mas nem isso o moço aceita. Ele não quer falar com ninguém, e brada: 'A imprensa tem de respeitar a privacidade do atleta'.
Mas não é só atleta. Político também é assim. Repara, porque é época de eleição. Quando é chamado para falar o que quer, ele tá lá, todo pimpão. Agora, aparece uma denúncia, e nem precisa ser muito séria, o animal político se esconde.
Vizinho é a mesma coisa; amigo, então, só lembra de você quando está por cima da carne seca ou quando está precisando.
Sabe aquela coisa que dizem, injustamente, do mineiro? Que ele só é solidário no câncer? Então, nem isso.
Desculpe se ando meio rancoroso, mas acredite, Editor, tirando a minha mágoa, é tudo verdade. Talvez eu esteja exagerando, mas não muito."
O Editor do UOL Tablóide acha que deveria contar essa história
a um professor de melancolia, que talvez emendasse: "Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!"
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