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09/12/2008 - 17h21

UOL Tablóide critica a reforma ortográfica: querem complicar o que já não era fácil

DO UOL Tablóide
Em São Paulo

Rogério Doki/UOL

A língua portuguesanão é mais a mesma...

A língua portuguesa
não é mais a mesma...

Você, internauta, já reparou como vai ficar a língua portuguesa após a reforma ortográfica globalizada que começa a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2009? O Editor do UOL Tablóide já. E tem suas primeiras opiniões, às quais compartilha neste UOL Tablóide Critica.

(Como ele é uma metamorfose ambulante, o Editor do UOL Tablóide reserva-se, desde já, o direito de ter uma nova opinião alguns meses depois de a reforma ser implementada.)

Mas, a princípio, essa reforma ortográfica me parece um pouco complicada... Não te parece, internauta, que estão querendo complicar o que já não era muito fácil?

Vão colocar três letras a mais no alfabeto, além de tirar o trema e alguns acentos. O agá, que é o agá, fica, o que pode nos levar a várias perguntas: qual é a utilidade do agá? Mais: quem o agá suborna para sobreviver na língua portuguesa após tantas mudanças? Quem será a organização por trás da força do agá? Do jeito que está, acho que o agá pode virar político e sair candidato a senador que será eleito!

Enfim, com letras e tremas a menos, você não acha, internauta, que vão começar a trcoar a oderm das leatrs nas plaarvas e nós não vmoas nem preecebr. Ou etaesri sndeo mituo pssietsmia?

Eels ttenam, eels taentm. Mas ahco que anida não vão csnegouir aabacr com a cnicumoação dos bilresiaros. Anafil, smoos um pvoo intenvivo e coguesnimos dlribar saçiutões as mias iitsunadas, cmoo um txetoem que as pvaalras são eircstas posritoalpmente com as lrteas tacodras. Não cdncoora, iuanentrta?

O que vamos aprender
Todos nós aprendemos coisas muito importantes na escola. Coisas que eu sei que você, internauta, sabe de cabeça até hoje. Por exemplo: como se conjuga o verbo bulir na segunda pessoa do plural no pretérito imperfeito do modo subjuntivo?; quem nasce em São Paulo é paulista, e quem nasce no Distrito Federal é o que?; qual o feminino de peixe-boi?; qual o coletivo de equidnas?; e quais são os afluentes da margem esquerda do rio Amazonas?

Pois é. E agora, vamos ter que aprender muito mais. Por isso, a partir do próximo parágrafo, este texto já estará escrito segundo a "nova" língua portuguesa.

AI, GISELE...

  • José Sal/Folha Imagem

    A deslumbrante embaixadora
    do trema na língua portuguesa

A primeira consequencia que me vem à mente é uma sequela que já salta aos olhos nesta primeira sentença: teremos que aguentar uma legião de us sem tremas. O trema só persistirá em nomes próprios, como Gisele Bündchen, que além de embaixadora da beleza brasileira na comunidade internacional pode se tornar embaixadora do trema na língua portuguesa. O que, é claro, serve de desculpa para colocarmos uma foto dela neste texto.

A língua portuguesa já não é exatamente um céu de brigadeiro para quem a estuda - estudantes soem reclamar de temas como a conjugação irregular dos verbos. Não sei qual era a ideia por trás da assembleia heroica que organizou todas essas mudanças, mas imagino que simplificar a língua portguesa fosse uma das metas.

AI, LÍNGUA PORTUGUESA...

  • Rogério Doki/UOL

    Continuaremos a nos entender poeticamente tão bem?

Reparou que, no parágrafo acima, alguns acentos agudos nos ditongos abertos deixaram de existir, enquanto outros permanecem? Por que uns caíram e outros, não? Por causa da sua posição nas palavras: os que chegaram por último (e, portanto, são os primeiros, segundo a sabedoria popular) ficam: caso do ditongos abertos que estão em palavras monossilábicas tônicas ("céu") ou que são oxítonas ("herói"), mas perdem o acento os que se atrasam e ficaram na penúltima sílaba - caso dos ditongos abertos nas paroxítonas, como "assembleia" e "heroico".

Se você para para pensar, percebe que, de fato, português é uma língua difícil. Principalmente se percebermos, como na frase nuperlida por você, em que há dois "para" com significados diferentes. Uma palavra, dois significados. Consequência da queda do acento diferencial, que caiu sem paraquedas para fora do nosso vocabulário. Sobre o acento diferencial: é preciso pôr os pontos nos is. O pôr, por exemplo, manteve seu acento diferencial, diferentemente da fruta pera, do esporte polo aquático e do pelo do animal.

Parece uma baiuca, tamanha a sua feiura aos nossos olhos que estranham o voo de todos esses acentos circunflexos nas letras dobradas para fora dos dicionários, mas não é. Averigue você por conta própria, internauta, e você verá!

Hífen
Se o lobby do agá é forte (você não acha que as palavras omem, ífen e umanidade, por exemplo, continuariam bem compreensíveis?), o do ífen, perdão, o do hífen é uma grande baiuca. Continuam sobrevivendo múltiplas regras. Houve uma circum-navegação no cerne da questão, mas na hora da abordagem, ainda há mais de dez regrinhas sobre o hífen.

Após muito estudar a "nova" língua portuguesa e após arguir-se sobre seus próprios conhecimentos, cumpre ao Editor do UOL Tablóide admitir: dúvidas continuam co-habitando seu coração. Ele não é tão autossuficiente quanto gostaria, e terá que estudar muito mais para compreender todas essas mudanças. Será uma árdua luta contra seu arquirrival - ou seja, ele mesmo -, mas se for um estudo benfeito, ele crê que, cedo ou tarde, estará dominando o "novo" idioma.

O único medo do Editor do UOL Tablóide é que ele demore tanto para aprender as mudanças da língua portuguesa que, até lá, já tenham mudado tudo de novo.

ps - Internauta! Enquanto você e eu falamos a mesma língua, fica aqui o convite: comente esta crítica (e a reforma ortográfica, é claro!) no Tablog, o blog do Editor do UOL Tablóide!

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