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Não, "Anticristo" não é um filme romântico!
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Toda forma de arte tem seus gênios, gênios incompreendidos e farsantes. Futebol, por exemplo. Entre os gênios: Pelé, Ronaldo Fofômeno etc. Entre os incompreendidos: Platini, Zico, Barbosa e outros que jogavam muito, mas nunca foram campeões de Copas do Mundo. Entre os farsantes: escolha um cabeça-de-bagre qualquer...
E há os polêmicos, por vários motivos - tanto o que faziam dentro do estádio, como o que faziam fora deles. Maradona, César Maluco, Romário.
O cinema também é assim. E o diretor dinamarquês Lars von Trier não é exatamente fácil de ser "enquadrado" nas categorias acima. Talvez "polêmico" seja um bom adjetivo para ele.
"Dançando no Escuro", por exemplo, levou a Palma de Ouro em Cannes em 2000, e é adorado por quase todos que o assistem - por mais triste que ele seja. Já "Os Idiotas", de dois anos antes, é um pouco mais difícil: mostra jovens intelectualizados que decidem se comportar em público como se tivessem problemas mentais. Por quê? Veja o filme...
Mas tudo isso para dizer que "Anticristo", o novo e polêmico filme de Von Trier é difícil. Difícil de quê?, pergunta você, internauta.
Difícil de ver até o fim.
Difícil de entender.
Difícil de saber se você gostou ou não.
Hein?
EnredoVamos começar pelo princípio: o enredo. Começa com um casal transando (sim, há sexo explícito), enquanto o filho deles cai pela janela e morre. O resto do filme são eles tentando lidar com isso. A mulher, deprimida. O marido, que é psiquiatra, tentando tratá-la.
OK até aí? Trata-se de um drama, claro. Mas há muitas e muitas maneiras de lidar com a depressão. "O filme todo começou quando eu tive depressão", diz o diretor Von Trier logo no início do depoimento abaixo.
Lars von Trier fala sobre o filme "Anticristo"
Assistindo ao filme, dá a impressão que ele quis se curar da depressão deprimindo os outros.
A cena da morte do bebê é, plasticamente, muito bonita. Se você não se importar em ver um bebê morrendo enquanto seus pais consumam o ato (tucanei o "transam"). Depois, cenas de choros, animais não-fofinhos, sustos, auto-emasculação. E outras imagens devidamente doloridas.
Metáfora religiosa. Ou nãoSe você esteve no planeta Terra nos últimos dois milênios, deve imaginar que um filme chamado "Anticristo" tenha algum tipo de simbolismo religioso.
Soma-se a isso o fato de o filme se passar em uma floresta chamada Éden - não foi o Jardim do Éden o palco do "Gênesis", o primeiro livro da Bíblia?
E são apenas dois personagens: o cara (Ele) e a mulher (Ela). Estaria Von Trier recontando a origem do mundo, do universo, da religião? Afinal, há passagens bem simbólicas. E sem explicações. Afinal, explicações para quê? Este é um filme de arte, bicho. Maior barra.
O filme ainda faz menções às perseguições que as mulheres sofreram na Idade Média, acusadas de bruxas.
Diante disso tudo, dá para evitar pensar que este é um filme de fundo religioso? Sim, dá. Você passa tanto tempo sofrendo, sentindo dor, sofrendo e sentindo dor, que talvez termine o filme sem ver sombra alguma de religião ali - e sem entender se é um filme a favor das religiões, contra as religiões e totalmente à margem disso.
Depressão tem cura?Sabendo que o diretor começou este filme para curar sua depressão, e sendo nós humanos que queremos sempre o bem do próximo, resta-nos torcer para que Von Trier tenha curado sua depressão. E que ele prepare outro filme, mas para nos curar da depressão que entramos ao assistir a "Anticristo".