Calma, calma, o Editor ainda vai falar muito das 80 misses que estão fazendo do Vietnã o país com maior concentração de belezuras do planeta nesta semana.
Mas antes de chegar a Nha Trang, a
Votuporanga do mundo, o Editor do UOL Tablóide não poderia deixar de passar por Ho Chi Minh, a cidade que o planeta conheceu por Saigon (o antigo nome ainda é comum nas ruas da cidade) e de onde os americanos, tranqüilos como o personagem de Graham Greene ou não, tiveram de sair correndo, no fim da Guerra do Vietnã, no episódio que ficou conhecido como "Fuga de Saigon".
Mas vamos ao que interessa: tem gente que acha que há motoboys demais em São Paulo ou em outras cidades brasileiras, como
Fortaleza. Essa gente não sabe o que fala. Se o Vietnã aponta para o futuro, o futuro pode ser resumido numa frase: "Seremos todos motoboys".
Em Saigon, as duas rodas (às vezes três) imperam. Há motos, motonetas, lambretas, mobiletes, vespas, bicicletas motorizadas e bicicletas tradicionais de todas as cores e de todos os gostos. A cidade cheira à gasolina, e mais, à gasolina queimada por ciclomotores. Uma camiseta à venda no Museu da História da cidade estampava, com orgulho, que não há cidade no mundo que tenha tantos
xe on, ou mototáxis.
Tanta moto faz o trânsito ficar diferente: os carros, ainda que bastante presentes, são uma minoria, muitos dos quais são autotáxis ou veículos a serviço de hotéis e empresas.
O vietnamita comum de Ho Chi Minh chega junto, muito junto. Sabe aquele motoboy que parece que vai quebrar o espelhinho, toda vez que você está na direção? Esse cara não parece, mas sabe respeitar as distâncias. Em Ho Chi Minh, as motos ficam tão perto umas das outras que quase não se pode falar em proximidade, mas em prosmicuidade...
As motos servem para tudo: transporte de gente (por metade do preço de um táxi, sem regatear, faz-se o mesmo percurso) e de carga. Guias de turismo alertam para os "motorbike cowboys" batedores de carteira e é possível ver, também, garotos oferecendo a turistas garotas que carregam na carona.
 Sabe tudo sobre o Vietnã, internauta? |
Homens e mulheres podem conversar, cada um na sua moto, enquanto atravessam a cidade, como se não ouvissem o barulho das buzinas. Aliás, há muitas formas diferentes de buzinar, numa cidade em que há poucos semáforos. O Editor do UOL Tablóide imagina que cada uma tenha um significado diferente - talvez alguns jeitos queiram dizer "estou entrando na contramão", "não vou respeitar a faixa de pedestres", "vou respeitar a faixa de pedestres", "ei, você chegou perto demais", "ei, vou chegar junto, mas não vou bater". Mas, se não for isso, é possível que todos os jeitos signifiquem: "sai da frente, por favor". Ninguém mete a mão tão pesado na buzina como o brasileiro! Só o brasileiro transforma toda buzinada num "desgraçado! tirou a carta de motorista pelo correio? tomara que você e sua família morram de morte dolorosa!").
Vale registrar também o apreço que o vietnamita tem pelo seu capacete. Também eles são coloridos e de várias formas, alguns até parecem bonés. É provável que esses não sejam muito eficientes, mas a tendência fashionista é evidente, com direito a muita combinação de capacete com a roupa e as máscaras (antipoluição?) e lenços que cobrem muitas faces.
Mas há um outro método dos vietnamitas que torna o trânsito, ainda que de difícil compreensão para um mané ocidental, mais humano: a velocidade.
Ninguém corre muito, mesmo que a pista, ocasionalmente, esteja livre. Isso faz com que você tenha confiança suficiente para se arriscar a atravessar à pé enormes cruzamentos, porque todo motociclista tem tempo para te ver e faz questão de deixar claro que está te vendo e que, mesmo que chegue perto, não vai passar por cima de você.
Nas caminhadas e nas voltas que deu pela cidade, o Editor do UOL Tablóide não viu ninguém estatelado no chão - a última vez que viu isso, foi na avenida Sumaré, quando ia para o aeroporto de Guarulhos. O máximo que aconteceu foi um encontrão (ou melhor, encontrinho) de uma pedestre com uma moto, mas ninguém saiu minimamente machucado ou magoado.
Se o futuro vai ser mesmo muito poluído (tomara que não), que pelo menos seja humano (tomara que sim).