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Rodrigo Flores/UOL
O panamenho Rolando Espino se especializou em misses |
Algumas pessoas estudam arte. Outros se dedicam a degustar vinhos. Há ainda quem goste de colecionar selos. O panamenho Rolando Espino, 60, se especializou em misses. Professor universitário de turismo, ele viaja o mundo para acompanhar os principais concursos de beleza. Esteve em pelo menos 20 edições do Miss Universo.
Neste ano, assistiu in loco à escolha da Miss Brasil 2004. Do alto de sua experiência, Espino elogia a candidata brasileira, Fabiane Niclotti, e define a miss ideal: "É preciso ter bons ossos".
UOL Tablóide: Como você se tornou um missólogo, se é que essa palavra existe?
Rolando Espino: (Risos) Não sei se ela existe, mas ela define bem o que sou. Quando tinha 10 anos, comecei a colecionar fotos das misses. Recortava revistas e jornais e arquivava tudo que podia. Na adolescência, fui ao meu primeiro concurso de beleza e pensei: "'É disso que eu gosto". A partir daí não parei mais. Entrei para um canal de televisão como produtor, e logo me envolvi na organização dos eventos. Depois de alguns anos, resolvi deixar de trabalhar para os outros e me tornar um empreendedor de misses.
UOL Tablóide: Como assim?
Rolando Espino: Havia muito espaço para os concursos de beleza. As pessoas se interessavam em acompanhar os eventos, e as mulheres tinham interesse em participar. Percebendo isso comecei a organizar alguns eventos. Infelizmente o resultado não foi o esperado. Investi muito dinheiro e tempo nisso, e não tive praticamente nenhum retorno. Minha esposa chegou a me ameaçar com o divórcio se eu continuasse com os eventos.
UOL Tablóide: E você continuou?
Rolando Espino: Digamos que eu diminuí um pouquinho o ritmo. (risos)
UOL Tablóide: Então você ainda organiza eventos...
Rolando Espino: Não exatamente. Restringi meu trabalho a indicar e assessorar candidatas panamenhas em eventos internacionais. Com isso também me sobrou tempo para trabalhar no projeto de dois livros sobre a história do Miss Universo.
UOL Tablóide: Se você ainda tiver aquelas pastas de 50 anos atrás, material não deve faltar...
Rolando Espino: Arrisco dizer que tenho o maior acervo sobre misses do mundo. Além disso, fiz doutorado em história, o que me ajuda no processo de pesquisa. Tenho a metodologia e o arquivo de informações, só me falta terminar as obras.
UOL Tablóide: Como especialista em misses, o que você poderia dizer sobre as mulheres brasileiras?
Rolando Espino: O Brasil era o país com as mulheres mais lindas do mundo nos anos 50 e 60. Marta Rocha foi inesquecível. Mas para mim, a brasileira mais bonita foi Yeda Maria Vargas. Depois houve um longo período de decadência. Espero que seu país volte a competir pelos primeiros lugares.
UOL Tablóide: E a atual candidata brasileira, Fabiane Niclotti?
Rolando Espino: A brasileira é completa. É linda e muito simpática. A miss Equador, por exemplo, tem uma boca feia. Já a Fabiane não tem imperfeições. O problema é que ela não recebeu a preparação adequada. O Miss Brasil deveria ter sido organizado com pelo menos oito meses de antecedência do Miss Universo. Assim ela teria mais tempo para aperfeiçoar sua movimentação no palco, treinar para a entrevista e providenciar trajes mais elaborados. Mesmo assim, acho que ela tem potencial para ficar entre as 15 finalistas.
UOL Tablóide: E quem são as suas favoritas?
Rolando Espino: Estados Unidos, Ucrânia e Noruega. Mas torço para que a brasileira se saia bem.
UOL Tablóide: E com tanta experiência acumulada, como você definiria a miss ideal?
Rolando Espino: Alta. Presença é fundamental. Eu diria que a estatura mínima deveria ser 1m75. Uma boa estrutura óssea também é desejável. Por fim, um rosto bonito e muita personalidade. A atual miss universo, Amelia Vega, tem todas essas características. É uma mulher linda e carismática. Não adianta nada eleger uma miss apagada que cumprirá mal o seu reinado durante o ano.
UOL Tablóide: Muito obrigado pela entrevista. Nos vemos antes do Miss Universo?
Rolando Espino: Não sei. Se quiser me encontrar, estarei no lobby do hotel das candidatas, de olho para ver se alguma passa por lá.
Ah! Esses missólogos...