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EFE
De maiô, não de biquíni |
PHUKET, Tailândia, 25 mai (AFP) - Há quase 10 anos, a aparição de uma jovem indonésia em traje de banho levou o ditador Suharto a proibir qualquer participação de suas compatriotas no concurso Miss Universo. Hoje, Artika Sari Devi se atreve a mostrar as pernas. Mas, será que o maior país muçulmano do mundo estará preparado?
"É um bom momento para que uma jovem indonésia se reintegrar", disse à AFP a bela de 25 anos, formada em Direito.
Artika está visivelmente entusiasmada por sua participação no concurso, que será celebrado em 31 de maio, na Tailândia. Esta muçulmana praticante explica que as coisas mudaram em seu país desde a proibição de Suharto, em 1996.
Apesar disso, a candidata escolheu um traje de banho inteiro, muito menos sensual que o de suas concorrentes, para as filmagens na paradisíaca ilha de Phuket, no sul da Tailândia. No desfile de biquínis, ela foi de maiô.
Isto não impediu as manifestações em seu país de muçulmanos radicais com cartazes com a inscrição: "Não vendam os músculos indonésios".
Os escassos 70 militantes presentes chamaram a jovem de "prostituta" e previram "a cólera divina e novas catástrofes na Indonésia". Recentemente, o arquipélago foi duramente castigado pelas ondas gigantes e por vários terremotos mortais.
"O grande problema continua sendo o desfile em traje de banho", reconhece a jovem, enquanto amarra uma toalha na cintura. "Mas hoje é possível ver na Indonésia muita gente usando trajes de banho na praia", acrescenta.
Quase 90% dos 220 milhões de indonésios são muçulmanos. A grande maioria pratica um islã tolerante.
Ela garante ainda que seus governos evoluíram. "Mas prefiro não opinar sobre o governo, é um assunto delicado. Simplesmente sou consciente de que sou uma cidadã que pertence à nova geração", acrescenta.
"Rejeitamos a sua participação porque um acontecimento como este não é compatível com a nossa cultura, sem mencionar os valores religiosos", destaca, por sua vez, Syamamah Suratno, encarregada da seção feminina da Muhamadiya, segunda organização islâmica da Indonésia.
"Não deveríamos ser julgados por nossa aparência física. Se queremos participar de um concurso, deveria ser de um que medisse o cérebro, a inteligência ou o talento", acrescenta a militante.
Artika não é a única candidata de um país muçulmano que quer suceder a atual Miss Universo, Jennifer Hawkins. Outas candidatas são provenientes de Egito, Turquia, Nigéria e Malásia.
Mas o tema continua sendo delicado nos países do islã. Em 2002, o concurso de Miss Mundo teve que ser deslocado da Nigéria para o Reino Unido depois de ter provocado protestos que deixaram mais de 200 mortos.
Tom Kruesopon, organizador desta edição do Miss Universo, admite que a presença de Artika é delicada, mas afirma estar "certo de que a decisão de enviá-la foi a correta".
"Eu era um pouco cético sobre sua participação, sabendo que poderia provocar um escândalo no seu país... mas sua chegada é positiva para o concurso", afirma