"Bom dia, senhor Adolfo Hitler". "Bom dia, senhora Branca de Neve". Apesar de inverossímil, este é um diálogo cotidiano em Chone, cidade de 20 mil habitantes localizada no norte do Equador, onde os cidadãos cultivam nomes pouco usuais.
Nada de estranho, portanto, que Adolfo Hitler Flores seja o juiz da cidade. "Claro que não me agrada meu nome e já pensei em trocá-lo, até porque eu sou o juiz e isso é motivo de piada, mas o mantenho por respeito ao meu pai", explica.
Sem nenhum vínculo de parentesco com o juiz Hitler, a cidade tem ainda toda a família de Hitler Fluver Corral Saldarreaga, que batizou seus filhos de Hitler Leonardo, Hitler Stalin e Hitler Humberto, e que é avô de Hitler Aníbal.
Para todos os gostosHá quem prefira uma homenagem mais artística (como o senhor Frank Sinatra Suarez), mais fast food (no caso de Burger King Herrera) ou mais lendária (como Ali Baba Cardenas).
Consultando a lista telefônica da cidade, a lista aumenta. Lá estão o senhor Cien Pies Pinares, o caríssimo Conflicto Internacional Loor, a Blanca Nieve Bague e John Kennedy Suarez. E como se não bastasse, um 'Roberto.-'. Assim mesmo, Roberto, ponto e hífen.
Questão religiosaA lenda da cidade narra que os batismos insólitos remontam a uma época em que Chone era povoada por pessoas muito religiosas que tinham o hábito de dar aos filhos nomes de santos do mundo católico. Assim, os primeiros "choneses" eram Pedro, Paulo, Maria, Ermenegildo, Anacleto e Melanio.
Depois, também por causa da imigração européia, a tradição dos nomes estranhos se tornou um hábito consolidado em toda a província.
O certo é que Chone, definida por seus habitantes como "a cidade das mulheres bonitas e dos homens responsáveis", terá uma vasta representação no Encontro Internacional de Nomes Estranhos, que acontece em agosto de 2008 em Huerta del Rey, uma cidade no norte da Espanha.