Quem acha que o Editor do UOL Tablóide busca a polêmica fácil não viu a cara dele quando provou a jaca.
Sim, essa fruta, da qual tem gente que come até o caroço, provoca no Editor do UOL Tablóide uma certa repugnância. A pele dura da bicha não é nada. A cola que ela solta e que gruda nos dedos por um período indeterminado é algo aceitável. O fato de ela se reproduzir muito facilmente no clima quente e ser quase onipresente no território nacional é um problema, sim, mas apenas porque dissemina o maior de todos... O cheiro.
O Editor do UOL Tablóide não aceita que uma fruta tenha o cheiro de jaca. Mesmo que ela seja a jaca.
Por isso, nada mais natural para a seção UOL Tablóide Critica do que, claro, criticar a jaca.
Um pouco dos bastidores: o Editor estava sem assunto para a seção quando a Sub da Sub perguntou: "E aí, o que você vai criticar nesta semana?". A resposta foi singela e até meiga (na opinião da Sub da Sub): "No momento, a única coisa que está me incomodando é o cheiro de jaca." A Sub retrucou: "Onde você sentiu cheiro de jaca?". O Editor: "Aqui perto." Sub: "Mas é tempo de jaca?". O Editor: "Não sei, senti o cheiro há seis meses." "Seis meses e ainda está reclamando? Pode criticar, critique à vontade."
O Editor então decidiu transpor para a crítica gastronômica os preceitos fartamente discutidos pelo francês Pierre Bayard, autor do best-seller acadêmico
"Como Falar dos Livros que Não Lemos". Num paralelo com um outro famoso crítico literário, o Editor achava melhor não provar a jaca para não se deixar influenciar.
Mas foi conferir, e o Manual de Redação é implacável: não permite criticar a jaca sem prová-la.
E então rolou a degustação, fazer o quê? Nem todo dia tem
concurso de miss, né? Vamos ao relato:
Por R$ 2,18 reembolsáveis, o Editor comprou um quarto de jaca, não sem antes dar uma apertadinha nela. A gosma nojenta grudou na mão do Editor ainda no mercado, que sentiu a primeira náusea, provocada pelo odor característico de estragado que a jaca madura tem.
A jaca foi embalada em plástico, o que permitiu o transporte até a redação. Quando ela foi aberta, uma nova lufada de cheiro de jaca tomou conta do andar. Fomos em frente. Afinal, contra quem já encarou o
trânsito de uma grande cidade brasileira,
namorou uma alienígena e enfrentou o Leão da Neméia, o que pode uma jaca?
O Editor do UOL Tablóide aproximou-se do fruto. Para sua surpresa, o cheiro de jaca é menos nauseante de perto. Com um garfo, tirou um gomo e separou-o da semente. Enrolou o que pegou no garfo. Parecia queijo quente derretido - mas, infelizmente, não passava de um pedaço de jaca...
O alimento entrou na boca. Ele escorregava, deslizava, recusava-se a descer. O Editor deu umas mordidas, as fibras foram cedendo.
Análise final: deu para engolir. E é preciso admitir: até dá pra entender que a fruta agrade a algumas pessoas - o que não dá pra entender são essas pessoas...
Uma tese sobre a jaca: A teoria do design inteligente pode até argumentar que a melancia dá no chão porque pesa muito e assim não cai na cabeça de ninguém; e que a jabuticaba dá num pé-grande porque fica mais fácil de pegar. Agora, como explicar a jaca?
O Editor do UOL Tablóide tem uma tese sobre a origem da jaca: Deus trabalhou seis dias e, quando estava descansando no sétimo, o Diabo foi lá e pá, plantou uma árvore. No meio de tantas outras, nasceu a jaqueira. Enrolada na jaqueira, a serpente, batendo um papinho com Eva e Adão... Deu no que deu...
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