Quando um turista chega ao Brasil, ele não precisa perguntar: sabe que a grande paixão nacional, quando se fala de esporte, é o futebol. Mas e quando um turista chega a Bahamas?
Estudioso do ser humano e de outras culturas, o Editor do UOL Tabloide, nas Bahamas há cinco dias (você tem acompanhado o
Tablog, não?) para a cobertura do
Miss Universo 2009 (você tem acompanhado o
site especial, não?), tem ido atrás do que é que o bahamense gosta.
Dos esportistas profissionais, os prediletos são os do atletismo. Quem chega a Nassau de avião passa, no aeroporto, por grandes pôsteres de bahamenses já premiados em Olimpíadas e Mundiais de atletismo - em Pequim-2008, por exemplo, as duas únicas medalhas do país vieram
do revezamento 4 x 400 metros rasos, com a equipe masculina, e no salto triplo, com Leevan Sands.
Entretanto, quando questionados sobre o esporte predileto do país, os bahamenses que conversaram com o Editor do UOL Tabloide não se lembraram do atletismo. E, pelo visto, não há um esporte predominante. Mesmo assim, a maioria deles apontou o críquete como esporte favorito. Um deles, empolgado, disse que valia uma visita ao Bahamas Cricket Association (Associação Bahamense de Críquete).
Lá não há jogos profissionais, avisou o simpático bahamense, mas há partidas amistosas e o restaurante Cricket Club, além de ser uma delícia, transmite muitos eventos esportivos em suas TVs, inclusive futebol (internacional, o "soccer" bahamense não é exatamente popular).
Missão aceita. Antes disso, porém, vamos investigar um pouco as regras do esporte e sua história.
RegrasCríquete é um esporte britânico, muito disputado no país de origem e nas suas ex-colônias (caso de Bahamas, que conquistou a independência há menos de meio século, em 1973). Entretanto, para os não-britânicos ou não-cidadãos de ex-colônias britânicas, o esporte parece mais complicado que o paradoxo de Schrödinger (aquele da mecânica quântica, sabe?).
Uma definição bem simplista, e que enfurece os fãs de críquete, é dizer que parece beisebol, mas 20 vezes mais complicado e bem mais longo (uma partida dura, normalmente, de três a cinco dias, mas pode durar menos do que isso - ou mais). Para deixar o fã de críquete mais irritado ainda, podemos dizer ainda que parece
taco (ou bete) aquele jogo que crianças brasileiras disputam nas ruas, mas 2.000 vezes mais complicado e beeem mais longo.
Mas não queremos irritar ninguém, certo? Vamos tentar explicar. Trata-se de um jogo disputado por duas equipes de 11 jogadores que se revezam: enquanto uma está com o taco, a outra está com a bola (igualizinho ao beisebol e ao bete, mas não conta para ninguém).
Há 42 regras gerais, além de leis específicas para jogos especiais. Quer que eu as liste? OK, já que você preferiu a versão resumida, vamos a ela.
O placar mostra dois números para cada equipe: o de corridas e o de wickets perdidos. Se um time X, por exemplo, teve cem corridas, mas perdeu três wickets, o placar mostra 100/3.
Há duas maneiras de vencer o jogo: pela quantidade de corridas ou eliminando dez wickets do adversário - na verdade, é um pouco mais complicado do que isso, mas entraria nas 42 regras supra-citadas, então vamos ficar por aqui, OK? Senão, vamos ter que mencionar o cálculo matemático Duckworth-Lewis, usando quando algo, como clima ruim, interrompe a partida (é sério, o método Duckworth-Lewis existe!).
De qualquer maneira, uma ida ao Cricket Club, com direito a assistir um pouco a uma partida amadora, ajudaria a entender um pouco mais.
HistóriaO críquete pode ser difícil de entender, mas tem história: já foi até esporte olímpico. Em Paris-1900, a seleção inglesa foi campeã e a anfitriã francesa, vice. O torneio teve apenas dois participantes e um único jogo, a grande decisão, então não há muito a relatar. Depois disso, nunca mais voltou a ser disputado em Jogos Olímpicos.
O Conselho Internacional de Críquete, que comanda as competições internacionais, tem 104 membros, embora apenas 10 deles sejam plenos; outros 34 são associados e os demais 60, afiliados.
Um dos membros plenos do Conselho Internacional de Críquete é a seleção das Índias Ocidentais, que reune jogadores de 16 nações anglófonas das Américas Central e do Sul, entre países independentes (como Guiana, Jamaica e São Cristóvão e Névis), dependências britânicas (Anguilla, Montserrat e Ilhas Virgins Britânicas) e dependências ultra-marítimas (Ilhas Virgens Norte-Americanas, Sint Maarten e Saint Martin). Bahamas, no entanto, não faz parte dessa forte seleção, que conquistou o sexto lugar na última Copa do Mundo, em 2007 e foi campeã das duas primeiras edições (1975 e 79).
Bahamas, assim como o Brasil, é apenas membro-afiliada - os bahamenses chegaram 15 anos antes dos brasileiros, em 1987.
Mas Bahamas tem seu Cricket Club, muito bem recomendado, então é para lá que nós vamos.
Cricket Club O caminho até o Cricket Club é bonito, acompanhado pelo mar do Caribe. Chegando perto, é possível ver uma enorme placa, que não deixa dúvida: é a Bahamas Cricket Association.
Mais adiante, uma placa alvissareira avisa: estamos abertos e hoje transmitiremos jogos de futebol. Oba! Só nos resta subir o morrinho e... dar com a cara na parede.
Não há ninguém.
Um cartaz colado na porta informa: estamos em férias. Isso explica o campo abandonado, a arquibancada vazia, o placar sem números... E até o restaurante delicioso (dizem...) está fechado.
Não vai ser dessa vez que o Editor do UOL Tabloide vai desvendar os mistérios do críquete... mas ele pode se conformar brincando com um cubo mágico. Ou tentando entender o paradoxo de Schrödinger, quem sabe.