Policiais de Rio e Bahia em greve às vésperas do Carnaval

AFP

RIO DE JANEIRO, 10 Fev 2012 (AFP) -Os policiais do Rio de Janeiro somaram-se à greve iniciada pelos colegas da Bahia exigindo aumento salarial e pediram à população que não saia às ruas, uma semana antes do Carnaval que leva milhões de pessoas às duas cidades.

A Polícia Civil e Militar do estado do Rio, assim como os bombeiros, decidiram entrar em greve na madrugada desta sexta-feira, insatisfeitos com o aumento salarial progressivo de 39% aprovado horas antes pela Assembleia Legislativa do Rio.

Após uma assembleia de cinco horas realizada na praça Cinelândia, no centro do Rio, a greve foi aprovada em uma votação entre os cerca de 2.000 oficiais presentes.

"Amanhã (sexta-feira), não haverá polícia civil, militar nas ruas, estaremos todos aquartelados, e apenas sairemos para eventos que envolverem risco de morte", disse após a votação o bombeiro Laercio Soares, presente na assembleia, à AFP.

"População: estamos com vocês. Fiquem tranquilos. Apenas pedimos que não saiam às ruas, não levem seus filhos ao colégio, e o comércio não deve abrir neste momento. É muito importante resguardar a vida", afirmou por sua vez o policial militar Thiago Rodrigues dos Reis.

Os agentes de segurança também protestam contra a prisão na quinta-feira de um líder sindical dos bombeiros, Benevenuto Daciolo, acusado de querer ampliar a greve a outros estados e ameaçar o Carnaval.

O protesto soma-se à iniciativa há nove dias da Polícia Militar da Bahia, que provocou uma onda de violência com um saldo de mais de 120 mortos, mais que o dobro da média habitual, sobretudo na capital, Salvador.

Mais de 200 policiais em greve desocuparam nesta quinta-feira a sede da Assembleia Legislativa da Bahia, onde estavam amotinados havia nove dias, e seu líder, Marco Prisco, foi preso. No entanto, os policiais da Bahia decidiram nesta quinta-feira à noite manter a greve.

"Este ano, pela primeira vez na história do Brasil, talvez seremos privados do Carnaval, aqui em nossa cidade. Este Carnaval, que é conhecido no mundo inteiro, e que é uma marca de nossa cidade", disse o bombeiro Reginaldo Adin, outro participante na assembleia do Rio, à AFP.

A presidente Dilma Rousseff criticou duramente a greve na Bahia e rejeitou uma anistia para aqueles que cometeram atos "contra as pessoas e a ordem pública".

"Em uma democracia são legítimas as reivindicações, mas há formas de reivindicar. Não considero que o aumento dos homicídios nas ruas, queimar ônibus, entrar encapuzados em ônibus, seja uma forma correta" de protestar, afirmou.

O secretário de Defesa Civil estadual e comandante do Corpo de Bombeiros do Rio, coronel Sérgio Simões, disse nesta quinta-feira mais cedo que se a greve fosse decretada, 14.000 homens do exército garantirão a segurança do estado, enquanto 300 homens da Força Nacional ajudarão os bombeiros.

Cerca de 3.500 soldados já estão no controle da segurança na Bahia.

"Liberdade para Daciolo; prendam (o governador do Rio, Sérgio) Cabral", pediam dezenas de folhetos sindicais distribuídos na praça Cinelândia, em meio ao ruído de apitos e cornetas.

Um alto-falante difundia uma mensagem gravada: "população, bombeiros e policiais militares pedem socorro. Alerta à população carioca. Em caso de greve, que a população evite transitar nas ruas da cidade".

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