Após fracasso, Kerry está disposto a relançar diálogo no Oriente Médio

Em Paris

WASHINGTON, 29 Abr 2014 (AFP) - O secretário americano de Estado, John Kerry, não lamenta a energia investida na última tentativa de diálogo de paz entre israelenses e palestinos, e apesar do fracasso da iniciativa, está disposto a tentar novamente, revelou seu porta-voz nesta terça-feira.

"O secretário não teve um só momento de arrependimento sobre cada minuto que dedicou a este esforço", disse a porta-voz do departamento de Estado Jen Psaki.

A funcionária admitiu que esta terça-feira, prazo estabelecido por Kerry para se obter o acordo, confirmou o fracasso das tratativas.

Mas Kerry, que conseguiu levar à mesa de negociações israelenses e palestinos - após três anos de bloqueio - "não lamenta o tempo investido neste processo".

Israel anunciou em 24 de abril a suspensão das negociações e a adoção de "medidas", após o acordo de reconciliação entre a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) - que administra a Cisjordânia - e o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

As conversações foram de fato bloqueadas quando Israel se negou a libertar, no dia 29 de março, o último contingente de prisioneiros palestinos e exigiu a prorrogação das negociações de paz além de 29 de abril.

Desde sua retomada, em 29 de julho de 2013, as negociações esbarravam em questões essenciais: as fronteiras, as colônias israelenses no território palestino ocupado, a segurança, o estatuto de Jerusalém e os refugiados palestinos.

Os palestinos acusam Israel de colocar em risco as conversações com sua política de colonização dos territórios ocupados.

A organização israelense "Paz Agora", oposta à colonização, revelou nesta terça-feira que Israel aprovou a construção de 13.851 casas nas colônias da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental durante os nove meses de negociações, o que equivale a uma média de 50 residências aprovadas por dia.

"Estas cifras revelam acima de qualquer coisa que o governo de Benjamin Netanyahu não foi sério durante estas negociações...", afirmou à AFP Yariv Oppenheimer, dirigente do "Paz Agora".


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