Mulher de importante dirigente chinês condenada à morte, mas não deve ser executada

hefei, 20 Ago 2012 (AFP) -Gu Kailai, esposa do alto dirigente comunista Bo Xilai caído em desgraça, foi condenada à morte com a pena suspensa por dois anos pelo assassinato de um empresário britânico, ao fim de um julgamento que sacudiu o partido único que governa a China.

Gu Kailai foi considerada culpada pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, crime que ela confessou, e recebeu a pena de morte com suspensão de dois anos, o que significa que só será executada se cometer infrações nos próximos 24 meses.

O veredicto foi pronunciado na cidade de Hefei (leste) contra a ex-advogada internacional de 53 anos, esposa de um influente líder político, que era considerado há poucos meses um favorito para os principais cargos do país.

A pena capital com suspensão de dois anos na China é transformada automaticamente em prisão perpétua por um período de 25 anos se o prisioneiro não cometer infrações.

"Respeitamos a decisão", disse He Zhengsheng, advogado que representa os familiares da vítima, que era amigo do casal antes de uma disputada por motivos financeiros.

A televisão pública exibiu imagens de Gu Kailai, que declarou aos juízes que aceita a decisão, "respeitosa com o direito, a verdade e a vida".

Durante o processo, a defesa não rebateu a acusação de homicídio intencional contra Gu pela morte, em novembro de 2011, de Heywood, de 41 anos, envenenado com cianureto em um quarto de hotel de Chongqing.

No julgamento, Gu admitiu ter envenenado o britânico Neil Heywood. O processo foi o ponto crítico em um grande escândalo que explodiu em março, com a destituição e posterior detenção de seu marido, Bo Xilai, até então uma estrela em ascensão do Partido Comunista da China, do qual era líder na grande cidade de Chongqing, onde aconteceu o crime.

As autoridades britânicas elogiaram a resolução do caso.

"Saudamos o fato de que as autoridades chinesas realizaram um investigação sobre a morte de Neil Heywood e julgaram os que foram identificados como responsáveis pelo crime", afirma uma nota da embaixada britânica em Pequim.

Zhang Xiaojun, um funcionário da família de Bo acusado de ajudar Gu no plano, foi condenado a nove anos de prisão.

A acusação alegou que a própria Gu Kailai colocou o veneno no copo do empresário depois ter embriagado o britânico.

Gu e o marido tinham uma relação estreita com Heywood, abalada por divergências financeiras.

O advogado de Gu, Tang Yigan, pediu durante o julgamento que o tribunal levasse em consideração a cooperação da cliente com a investigação.

Também nesta segunda-feira, o tribunal condenou quatro chefes de polícia chineses a penas de cinco a 11 anos de prisão por terem adulterado a investigação sobre o assassinato para proteger Gu Kailai.

Os policiais alteraram deliberadamente as investigações e falsificaram provas após o assassinato para dar crédito à tese de uma morte acidental, afirmou Tang Yigan, porta-voz do tribunal de Hefei.

Gu Kailai compareceu no dia 9 de agosto ao tribunal de Hefei, para uma única sessão. Ela afirmou que sofria de depressão e que vivia um "pesadelo".

"Este assunto provocou danos importantes ao Partido e ao país, pelo qual me responsabilizo", disse Gu.

As deliberações, proibidas à imprensa estrangeira, permitiram ilustrar o sangue frio de Gu que preparou até o último detalhe o assassinato de Heywood.

A acusação sustentou que ela administrou pessoalmente o veneno depois de ter embriagado o britânico.

A condenação de Gu provocou um milhão de mensagens no Sina Weibo, o equivalente na China da rede social Twitter, em sua maioria com críticas ao tratamento favorável recebido pela acusada.

O caso virou um dos maiores escândalos da China e selou o destino de Bo, que já era questionado por seus métodos autoritários, tentativas de ressuscitar usos e costumes da época maoísta e alguns problemas financeiros.

Para os analistas, a celebração do processo significou que a direção do Partido Comunista chegou a um consenso sobre a maneira de tratar o caso Bo Xilai.

Este ambicioso e brilhante líder político, filho do marechal Bo Yibo, um dos fundadores do regime ao lado de Mao Tsé-Tung, caiu em desgraça há alguns meses por seu envolvimento em denúncias de corrupção. Atualmente ele está detido em um local secreto.

A queda de Bo Xilai evidenciou as profundas divisões na cúpula do regime comunista.

Bo fez muitos inimigos com sua enérgica campanha antimáfia e sua paixão pelos cantos revolucionários "vermelhos" da época da Revolução Cultural (1966-76), que ele retomou em Chongqing.

O escândalo final explodiu quando o braço direito de Bo, o chefe de polícia Wang Lijun, partidário da força e com fama de incorruptível, tentou obter refúgio no consulado geral dos Estados Unidos em Chongqing, onde revelou tudo o que sabia sobre as intrigas do casal Bo.


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