Avião de Evo Morales deixa Ilhas Canárias rumo à Bolívia

VIENA, 03 Jul 2013 (AFP) - O avião do presidente da Bolívia, Evo Morales, decolou nesta quarta-feira do aeroporto de Gran Canária, onde realizou uma escala técnica, constatou uma jornalista da AFP.

O Falcon da Força Aérea Boliviana no qual o presidente boliviano viaja pousou em um aeroporto de Gran Canária por volta das 14h50 GMT (11h50 de Brasília), depois de receber autorização do governo espanhol na manhã desta quarta-feira para sobrevoar seu espaço aéreo e realizar a escala da aeronave em território canário.

O avião chegou procedente de Viena, onde na terça-feira foi obrigado a pousar depois que França, Portugal, Itália e Espanha negaram a permissão de sobrevoo por suspeitas de que a aeronave estivesse transportando o ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden.

Várias horas depois, Paris, Lisboa e Itália voltaram a conceder a permissão ao avião presidencial boliviano, que permaneceu em Viena até receber a autorização espanhola, na manhã desta quarta-feira.

No entanto, o presidente francês, François Hollande, declarou nesta quarta em Berlim que havia autorizado imediatamente que o avião presidencial da Bolívia sobrevoasse a França assim que soube que o presidente Evo Morales estava a bordo.

"Houve informações contraditórias sobre os passageiros que estavam a bordo", disse Hollande. "Quando soube que se tratava do avião do presidente boliviano, autorizei imediatamente o sobrevoo" do território francês, completou.

Já Morales reagiu com indignação ao comentar o incidente no aeroporto da capital austríaca.

"Isto foi quase um sequestro de 13 horas que permitiu que os governos de França, Itália, Portugal e Espanha pudessem revisar um erro histórico", disse.

O líder boliviano disse à imprensa que Madri pediu para inspecionar o avião antes de autorizar a entrada no espaço aéreo, mas que ele se negou porque seria uma violação da legislação internacional.

"Lamento que a Espanha queira controlar o avião. Não sou um criminoso (...) O embaixador da Espanha na Áustria queria que eu o convidasse para um cafezinho para que revistasse o avião, é claro que eu não posso fazer isso. Todos temos nosso orgulho, nossa dignidade", afirmou Morales.

O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel García Margallo, insistiu em declarações aos jornalistas que não houve "nenhuma proibição" e que "não é verdade que a Espanha tenha pedido permissão para revistar o avião" antes de conceder sua autorização, como sugeriu Morales.

Áustria e Bolívia confirmaram que Snowden - procurado pelos Estados Unidos devido as suas revelações sobre o programa de espionagem americano e refugiado em um aeroporto de Moscou - não estava a bordo da aeronave.

No entanto, as autoridades da Áustria reconheceram que a aeronave não foi inspecionada.

"Não sei, não vi nada", disse Morales a respeito.

"Não posso entender que digam que me detêm porque estava levando o senhor Edward Snowden", disse o presidente. "Os Estados Unidos e quase todos os países da Europa têm serviços de inteligência e este senhor não é uma maleta (...) ou uma mosca que eu possa colocar no avião e levar à Bolívia", acrescentou.

"É um pretexto para amedrontar, para intimidar, um pretexto para tentar calar a nossa luta contra as políticas econômicas de saque (...), de dominação e de intervenção", acrescentou Morales.

"Nem a Bolívia nem o presidente Evo cometem crimes. Somos muito respeitosos com as leis internacionais", afirmou. "Isso não é uma provocação a Evo Morales, mas à Bolívia e a toda a América Latina (...) por (parte de) alguns países europeus", lamentou o presidente boliviano.

O avião de Morales "pousou às 21h40 (16h40 de Brasília) procedente de Moscou. Os passaportes foram verificados e, ao contrário dos boatos, Edward Snowden não estava a bordo", afirmou à AFP o porta-voz do Ministério do Interior austríaco, Karl-Heinz Grundboeck.

O avião, no entanto, não foi inspecionado e os passageiros foram apenas submetidos a um controle de passaportes, destacou.

"Não existia uma base legal para uma operação", disse Grundboeck.

Pouco antes, autoridades bolivianas indicaram que o avião de Morales precisou ser desviado para Viena na noite de terça-feira depois de França, Itália e Portugal terem negado a entrada em seu espaço aéreo.

A situação enfrentada por Morales foi anunciada de La Paz pelo chanceler boliviano, David Choquehuanca, na tarde de terça-feira: "O presidente foi forçado a pousar em Viena", citando "suspeitas infundadas de que o senhor Snowden estaria nesta aeronave".

O governo boliviano decidiu denunciar na ONU e no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) a atitude de França, Itália, Portugal e Espanha, anunciou nesta quarta-feira o vice-presidente, Alvaro García.

Ele explicou que o objetivo das medidas é "iniciar um processo contra os responsáveis por esta violação do direito internacional, por esta violação do direito aéreo e por colocar em risco a vida do presidente, ao proibi-lo de passar pelo território de alguns países europeus, algo que nem em tempo de guerra acontece".

Os governos de Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Nicolás Maduro (Venezuela) e Daniel Ortega (Nicaragua), entre outros, condenaram a atitude dos quatro países europeus de fechar o espaço aéreo ao avião presidencial boliviano.

"Definitivamente estão todos loucos. Chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não pode ser este grau de impunidade", escreveu Kirchner na rede social Twitter.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, emitiu uma nota oficial onde afirmou que "nada justifica uma ação de tanto desrespeito pela mais alta autoridade de um país".

O embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justitiano Talavera, disse nesta quarta que seu país espera uma manifestação de solidariedade do Brasil, informou a Agência Brasil.

"Esperamos a solidariedade do governo brasileiro. Esperamos um pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, a exemplo de outros presidentes da região que se manifestaram em apoio ao presidente Morales", disse o embaixador em entrevista concedida à agência.

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