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Casal da Califórnia se declara culpado de torturar seus filhos

22/02/2019 19h00

Los Angeles, 22 Fev 2019 (AFP) - Os pais da "casa dos horrores" na Califórnia se declararam culpados nesta sexta-feira (22) de 14 acusações, inclusive abuso e tortura contra 12 de seus 13 filhos, informou a promotoria.

David Turpin, de 57 anos, e Louise Turpin, de 50, foram detidos em janeiro de 2018, após uma denúncia feita por uma das filhas do casal, que conseguiu fugir e chamar a Polícia.

A promotoria do condado de Riverside informou nesta sexta-feira que os Turpin receberam, cada um 14 acusações de tortura, confinamento e abuso infantil contra seus filhos biológicos, com idades entre 3 e 30 anos.

O casal espancou e estrangulou os filhos, além de mantê-los desnutridos, de só permitir que tomassem um banho a cada ano e de nunca levá-los ao médico.

As autoridades consideraram que a filha mais nova não foi vítima de maus-tratos.

Os dois se declararam culpados ante o juiz Bernard Schwartz, no condado de Riverside, e sua audiência de sentença está prevista para 19 de abril.

o promotor do condado de Riverside, onde são julgados, Michael Hestrin, disse que em virtude da declaração de culpa serão sentenciados ao "máximo que podem receber segundo a lei da Califórnia", que é a prisão perpétua, com direito à audiência para a liberdade condicional em 25 anos.

"Este é um dos casos mais graves, um dos piores de maus-tratos infantis que vi na minha carreira de promotor", disse Michael Hestrin, promotor do condado, durante coletiva de imprensa na qual anunciou a decisão.

Hestrin disse que seu gabinete buscou esta declaração para evitar que os filhos dos Turpin tivessem que de depor na corte.

"Decidimos que as vítimas suportaram tortura e abuso suficientes. Me reuni com todas as vítimas nos dias anteriores, inclusive a de 3 anos", disse Hestrin.

"Me cativou muito seu otimismo, a esperança no futuro. Tem vontade de viver e um grande sorriso"

Os 13 irmãos estão aos cuidados dos serviços de proteção de crianças e adultos do condado.

- Dois anos para fugir -A família morava em uma casa confortável da cidade de Perris, condado de Riverside, a sudeste de Los Angeles.

A filha Jordan Turpin, então com 17 anos, fugiu por uma janela e levando um celular, com o qual conseguiu ligar para os serviços de emergência. A operação foi planejada por dois anos.

Na ligação, informou que suas duas irmãs menores "estavam acorrentadas às suas camas" por violar as regras da casa, ao pegar caramelos na cozinha sem permissão.

"Às vezes, minhas irmãs acordam e começam a chorar" de dor. "Ligo para que ajudem minhas irmãs", disse na ocasião a jovem, que declarou ter educação equivalente ao primeiro grau e demonstrou ter dificuldades, inclusive, para soletrar seu sobrenome.

Ao ler um envelope, não conseguia distinguir entre o número da casa e o código postal de sua residência.

O oficial do xerife Manuel Campos, que respondeu à ligação de emergência, declarou à corte em janeiro que a jovem, que falava e parecia com uma menina, tinha os cabelos e a pele muito sujos e admitiu que estava "morta de medo".

Segundo a promotoria, todos os filhos foram submetidos a um "abuso prolongado" e ao resgatá-los foi preciso hospitalizá-los e colocá-los em tratamento físico e psicológico.