Topo

Esse conteúdo é antigo

Hospitais do Haiti são afetados por falta de combustível causada por gangues

As gangues que controlam grande parte de Porto Príncipe bloquearam as estradas que levam aos terminais de petróleo - Sabin Johnson/Anadolu Agency via Getty Images
As gangues que controlam grande parte de Porto Príncipe bloquearam as estradas que levam aos terminais de petróleo Imagem: Sabin Johnson/Anadolu Agency via Getty Images

25/10/2021 16h53

Porto Príncipe, 25 Out 2021 (AFP) - Os hospitais e os provedores de telecomunicações do Haiti advertiram que seus serviços podem ser interrompidos devido à escassez de combustível causada pelo controle crescente das gangues de criminosos sobre a capital Porto Príncipe.

É "provável que haja perda de vidas" se o fornecimento de combustível não chegar aos hospitais imediatamente, advertiu o coordenador humanitário interino da ONU no país, Pierre Honnorat, em um comunicado publicado no domingo (24).

Uma associação de hospitais privados do Haiti, que proporciona mais de 70% da atenção hospitalar e de emergência à população, disse que estava emitindo "um grito de alerta para o governo".

"Com esta escassez de combustível, a continuidade dos serviços vitais de 40 hospitais para setores inteiros da população está ameaçada. Os mais pobres podem pagar muito caro", disse ontem a associação.

Essa foi a mesma preocupação manifestada pela ONG internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), que está presente no Haiti há 30 anos.

"Se a situação continuar assim, o hospital de traumatologia e queimados de Tabarre, em Porto Príncipe, que recebe uma média de 155 pacientes por mês, poderia ter que reduzir suas atividades e restringir seus critérios de admissão nos próximos dias", afirmou a MSF.

As gangues que controlam grande parte de Porto Príncipe bloquearam as estradas que levam aos terminais de petróleo, impedindo o fornecimento regular aos postos de combustível há alguns meses.

A situação já está provocando o fechamento do serviço de telecomunicação móvel, cujas antenas se alimentam de geradores.

"Mais de 300 dos 1.500 locais da Digicel estão afetados pela escassez de combustível", disse Jean-Philippe Brun, diretor de operações da companhia telefônica, que controla 75% do mercado haitiano.

As escolas e os estabelecimentos comerciais permaneceram fechados nesta segunda-feira (25) na capital haitiana, e as ruas, normalmente congestionadas pelo trânsito, estavam desertas após a convocação de uma greve por parte dos sindicatos do transporte público para protestar contra a crescente insegurança.

Desde junho deste ano, os grupos armados aumentaram o número de sequestros em todo o país.

Um dos grupos criminosos mais poderosos do país exige 17 milhões de dólares de resgate para libertar um grupo de missionários e suas famílias - 16 cidadãos americanos e um canadense - que foram sequestrados em 16 de outubro em uma região situada a leste de Porto Príncipe.