Grupo amarra falsa bomba em perna de segurança

De Campinas

Assaltantes sequestraram um segurança e sua família, amarraram uma falsa bomba em sua perna, colocaram outra no seu carro e bloquearam a rodovia com um caminhão incendiado para tentar roubar um carro-forte na manhã desta sexta-feira em Campinas (SP).

A ação cinematográfica, em uma alça de acesso da Anhanguera, acabou frustrada por uma trapalhada da quadrilha, que deixou a porta do carro-forte fechar, depois que todos os funcionários da empresa de segurança deixaram o veículo, e teve que fugir sem o dinheiro.

Por mais de 12 horas, o segurança da transportadora de valores ficou com um artefato, que acreditava ser uma bomba, amarrado em uma de suas pernas e com a família sob a mira de armas para que ajudasse a quadrilha a roubar o dinheiro.

A ação, que surpreendeu a polícia em Campinas pelo planejamento e ousadia, foi desencadeada na noite de quinta-feira, por volta das 23h, quando dois dos criminosos encapuzados renderam o vigia na Rodovia Santos Dumont e foram até sua residência, na periferia de Campinas, rendendo também sua mulher e um filho de 5 anos.

A delegada Denise Margarido, que apura o caso, afirmou que os assaltantes obrigaram a vítima a dar detalhes sobre o trajeto e dos horários do carro-forte.

Depois de colocar em sua perna um objeto que seria uma bomba e poderia ser acionado por controle remoto, obrigaram que ele seguisse sua rotina de trabalho e mantivesse segredo sobre o crime para os três outros seguranças que estavam no veículo. Outros criminosos levaram a mulher e o filho para um cativeiro e disseram se algo desse errado eles morreriam.

Na alça de acesso que liga a Anhanguera ao anel viário Magalhães Teixeira, entre Campinas e Valinhos, os criminosos atravessaram na pista um caminhão baú e atearam fogo.

Atrás do carro-forte, outro caminhão foi parado para evitar que o motorista tentasse fuga de marcha ré e também bloqueasse o tráfego de outros veículos, explicou o tenente Márcio Massarente, da Polícia Militar Rodoviária, primeira a chegar no local.

Depoimento

Segundo os depoimentos, seis homens armados com espingardas (ou fuzis) comunicaram a existência de uma bomba dentro do carro-forte e obrigaram que os quatro seguranças e o motorista descessem. Os seguranças relataram para a polícia que a porta do carro-forte acabou fechando, acionando a trava do equipamento.

Os criminosos tentaram ainda atirar contra a fechadura da porta, sem sucesso. Estilhaços de bala feriram dois dos seguranças. Sem conseguir roubar o dinheiro, os assaltantes fugiram deixando o homem com a bomba amarrada na perna no local, a família sequestrada e a outra suposta bomba no carro dele que estava parado no estacionamento da empresa de segurança, em Campinas.

Uma equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) conseguiu retirar o suposto artefato por volta das 12h30 desta sexta-feira e constatou-se tratar de uma falsificação feita com um tubo cheio de areia. A delegada do caso disse que o material, segundo relato dos policiais, era feito por "alguém que sabia o que fazia".

Os policiais foram então fazer a remoção da suposta bomba do carro do segurança, que também era uma falsificação.

Para a Polícia Civil, apesar de a ação ter sido desencadeada quinta-feira, ela já era planejada desde o meio do mês passado, quando foram roubados os caminhões usados para fazer a barreira na pista. As investigações vão agora tentar buscar algum elo de ligação com o crime cometido em Campinas, com a tentativa de roubo a um carro-forte em São Paulo, com método parecido.

Pânico

O segurança A.R.N., de 36 anos, viveu momentos de pavor. Das 9h30 até as 12h30, ele ficou estirado no chão de uma rodovia com uma suposta bomba amarrada numa das pernas, enquanto sua mulher e filho eram mantidos reféns e uma outra bomba em seu carro podia ferir colegas de trabalho.

Passando mal, ele teve que receber uma máscara de oxigênio, enquanto uma equipe do Gate tentava retirar o suposto artefato.

Sua mulher e filho foram libertados por volta das 10h30 em uma estrada de terra no bairro Satélite Iris, periferia de Campinas.

Ela afirmou que estava dormindo quando o marido entrou em casa com dois homens encapuzados, que o mantinham refém. Aparentemente abalada, ela chegou a ser atendida em um hospital onde o marido foi levado para se recuperar do susto. Às 12h30, ela e o filho foram levados ainda pela polícia para acompanhar uma varredura.

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