Mercado eleva apostas em juro abaixo de 7,5%
Ao término da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (324.720 contratos) marcava 7,41%, ante 7,45% do ajuste de ontem. A taxa do DI para janeiro de 2014 (674.760 contratos) estava em 7,68%, ante 7,76% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (130.640 contratos) tinha taxa de 8,94%, ante 9,07%, e o DI para janeiro de 2021 (9.150 contratos) marcava 9,58%, ante 9,72%.
A "parcimônia" citada pelo BC aparece no parágrafo 35 da ata, quando a autoridade monetária afirma que "mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia".
O trecho, que já constava da ata anterior, de maio, garante uma margem de manobra ao Banco Central: se a crise externa piorar até outubro, o Copom pode colocar a Selic abaixo de 7,50%; se não, a tendência é de que a taxa básica encerre o ano em 7,50%. "A queda das taxas dos DIs hoje reflete a dúvida que o mercado ainda tem", comentou um operador ouvido pela Agência Estado e que projeta uma Selic de 7,50% no fim do ano. "Ficou em aberto".
A única certeza do mercado é que o ciclo de cortes está perto do fim. "Mas você não consegue tirar do texto da ata o quão próximo do fim nós estamos", comentou o economista-chefe da CM Capital Markets, Darwin Dib, que prevê uma Selic de 7,00% no fim do ano. "Eu, que alterei na semana passada o call, estou menos confortável, porque o BC tirou do texto da ata partes em que dava a entender que a economia está em desaquecimento."
De fato, no parágrafo 29, o Copom avalia que "a recuperação da atividade econômica doméstica tem se materializado de forma bastante gradual", mas que "o cenário central contempla ritmo de atividade mais intenso neste semestre".
Conforme alguns analistas, com um ritmo de atividade "mais intenso" no segundo semestre, o BC não precisará reduzir ainda mais a Selic, para patamares próximos de 7,00%, o que confirmaria a proximidade do fim do ciclo.
Ofuscado pela divulgação da ata, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou inflação de 1,11% na segunda prévia de julho, ante 0,63% da mesma prévia de junho e a mediana de 1,02% projetada pelo mercado. O dado, divulgado logo cedo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), confirma uma maior pressão dos preços das commodities sobre os IGPs - algo que já havia sido identificado no IGP-10 divulgado no início da semana.






