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Delator cita pressão por repasse a coronel

Coronel reformado João Batista Lima Filho, amigo de Temer e acusado de ser "laranja" - Jefferson Coppola/Folhapress
Coronel reformado João Batista Lima Filho, amigo de Temer e acusado de ser "laranja" Imagem: Jefferson Coppola/Folhapress

Teo Cury e Breno Pires

Brasília

13/05/2018 08h28Atualizada em 13/05/2018 10h42

O contador Florisvaldo Caetano de Oliveira, apontado como responsável por realizar pagamento de propina do Grupo J&F a políticos, afirmou ter sido orientado pelo ex-diretor de Relações Institucionais Ricardo Saud a entregar "o mais rápido possível" R$ 1 milhão ao coronel aposentado João Baptista Lima Filho. Segundo o contador, o ex-diretor justificou o pedido de celeridade por se tratar de "dinheiro do Michel Temer".

Florisvaldo afirmou também ter recebido reclamação do coronel Lima por não ter feito o repasse logo no primeiro encontro que os dois tiveram, no início de setembro de 2014.

As declarações constam do anexo complementar 6 da colaboração premiada de Florisvaldo, apresentada em 31 de agosto de 2017 e na qual ele relata detalhes do repasse que havia sido narrado de forma simplificada em maio.

Leia também:

Raquel Dodge pede providências ao STF 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu na quinta-feira passada ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a "adoção das providências cabíveis em relação a detentores de foro no STF". O único citado com foro no STF no caso específico é Temer.

Esse foi um dos 76 pedidos de encaminhamento a fatos trazidos na complementação da colaboração premiada de executivos e ex-executivos do grupo empresarial.

Primeiro encontro para 'acertar detalhes'

Florisvaldo relatou que no contato inicial com o coronel Lima, em 2 de setembro de 2014, na sede da Argeplan Arquitetura & Engenharia, em São Paulo, não levou o dinheiro porque achou "mais adequado um primeiro encontro para acertar os detalhes da entrega".

O coronel [aposentado João Baptista Lima Filho] reclamou que eu não tinha levado a quantia naquele momento. 
Florisvaldo Caetano de Oliveira, apontado como entregador de propinas da J&F  a políticos

Ele relatou que foi questionado por Saud se já tinha feito o repasse.

Ricardo [Saud, ex-diretor do grupo J&F] então ficou preocupado, reclamou muito e disse 'isso já era para ter sido entregue, é dinheiro do Michel Temer', pedindo para que eu providenciasse a entrega o mais rápido possível e o avisasse.
Florisvaldo Caetano de Oliveira

Florisvaldo disse que até então desconhecia a finalidade da entrega.

Ajuda para carregar o dinheiro

Dois dias depois, ele contou que voltou ao escritório de Lima com o valor em espécie e acompanhado do diretor financeiro do Grupo J&F, Demilton Castro. A presença de Demilton, de acordo com o delator, era para auxiliá-lo "a subir os degraus com aquela quantidade de dinheiro em espécie".

Conforme o relato, ao chegarem ao escritório, no entanto, foram recebidos pelo coronel Lima na calçada em frente ao edifício.

Ele pediu que colocássemos os valores no porta-malas de um carro que ele apontou.
Florisvaldo Caetano de Oliveira

"Naquele momento, eu questionei se não haveria problemas com a câmera externa de segurança e com a frente espelhada do prédio, ao que o coronel respondeu que estava tudo bem. Então, eu e Demilton colocamos os valores no tal porta-malas e fomos embora."

Inquérito envolve Temer, Padilha e Moreira Franco

Já havia investigações sobre supostos pagamentos da J&F ao coronel Lima sob suspeita de que tivessem como destinatário Temer. A PGR solicitou que essas informações sejam juntadas ao inquérito 4483, no qual foram denunciados o presidente e os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, atualmente comandando o Ministério de Minas e Energia.

A Procuradoria-Geral da República pediu também envio de cópia à Justiça Federal do Distrito Federal, onde tramita uma ação penal para apurar se membros do MDB da Câmara formaram organização criminosa.

Planalto não se manifestou

Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre as declarações do delator. Em relação ao pedido de Raquel Dodge para autuação da petição e a adoção de medidas cabíveis, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República respondeu: "Não podemos prever o futuro".

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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