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Premiê da Espanha anuncia perdão a líderes separatistas catalães

Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou que o governo vai perdoar nove líderes separatistas envolvidos na frustrada tentativa de independência da Catalunha - Juan Carlos Hidalgo/Pool/AFP
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou que o governo vai perdoar nove líderes separatistas envolvidos na frustrada tentativa de independência da Catalunha Imagem: Juan Carlos Hidalgo/Pool/AFP

21/06/2021 09h21Atualizada em 21/06/2021 10h36

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou que o governo vai perdoar nove líderes separatistas envolvidos na frustrada tentativa de independência da Catalunha.

Durante visita a Barcelona, capital catalã, nesta segunda-feira (21), o premiê disse que seu gabinete vai votar a proposta de indulto na terça (22), guiado por um "espírito de concórdia".

"Podemos permanecer bloqueados nos problemas, buscar culpados, [...] ou dedicar nosso tempo e nossas energias a resolver o problema e apostar na concórdia", disse Sánchez, cujo discurso no teatro Liceu chegou a ser interrompido por gritos de "independência" na plateia.

Do lado de fora, manifestantes protestavam em defesa dos separatistas com bandeiras em defesa da independência da Catalunha. "Com esse ato, permitiremos que nove pessoas deixem a prisão, mas simbolicamente unimos milhões e milhões de pessoas em nome da convivência", acrescentou o premiê.

Entre os políticos que receberão indulto estão o ex-vice-presidente da Catalunha Oriol Junqueras (13 anos de prisão) e a ex-presidente do Parlamento catalão Carme Forcadell (11 anos e seis meses). Também serão beneficiados o ex-porta-voz da Presidência Jordi Turull, o ex-secretário catalão das Relações Exteriores Raül Romeva e a ex-secretária do Trabalho Dolors Bassa, todos eles condenados a 12 anos de cadeia.

Completam a lista os ex-secretários regionais Joaquim Forn (Interior) e Josep Rull (Território), sentenciados a 10 anos e seis meses, e os representantes da sociedade civil Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, condenados a nove anos de prisão.

Os nove catalães foram sentenciados pelo Tribunal Supremo da Espanha em outubro de 2019, por crimes como sedição e apropriação indébita. Na ocasião, outros três ex-secretários catalães, Santi Vila (Empresa e Conhecimento), Meritxell Borràs (Governo) e Carles Mundó (Justiça), foram condenados ao pagamento de 10 meses de multa, com cota diária de 200 euros, por desobediência.

A decisão de perdoar os separatistas enfrenta resistência no restante da Espanha e nos partidos de oposição ao governo socialista de Pedro Sánchez. A capital Madri já foi palco de um protesto contra o indulto em 13 de junho.

Conservadores afirmam que o premiê vai perdoar os independentistas para garantir a sobrevivência do governo, que depende dos votos de partidos catalães para aprovar seus projetos no Parlamento.

Independência - A Catalunha havia declarado independência de maneira unilateral em outubro de 2017, após um plebiscito considerado ilegítimo pelo governo espanhol, então chefiado pelo conservador Mariano Rajoy.

Na sequência, Madri destituiu a administração catalã e assumiu o controle da comunidade autônoma, que hoje é governada por outro representante dos separatistas, Pere Aragonès.

De acordo com o jornal catalão La Vanguardia, a libertação dos independentistas não será imediata, já que o Supremo terá de recalcular as penas em função de quais crimes forem indultados.