Resultados parciais confirmam reeleição de Cristina Kirchner na Argentina

Os primeiros resultados oficiais deste domingo (23) confirmam que a presidente argentina Cristina Kirchner foi reeleita para mais quatro anos de mandato, informou o ministro do Interior, Florêncio Randazzo.

"A partir do total de 15,5% das urnas apuradas, podemos informar que Cristina Kirchner foi consagrada presidente da Argentina", disse Randazzo.

O ministro afirmou que, segundo as projeções oficiais naquele momento da apuração, a presidente teria recebido 53,04% dos votos e o segundo colocado, Hermes Binner, governador da província de Santa Fé, teria 16,98%.

Em pronunciamento na televisão, Cristina Kirchner disse que vários presidentes da região lhe telefonaram para lhe parabenizar.

"Agradeço à companheira Dilma (Rousseff) pelas palavras que me disse."
Cristina tambem agradeceu ao marido, Nestor Kirchner, morto há quase um ano. "Sem ele, sua valentia e sua coragem teria sido impossivel chegar aqui", afirmou.

Desafios

Os resultados preliminares sugerem que a presidente pode ter tido a maior votação desde a eleição de Juan Domingo Perón, criador do peronismo, que obteve 62% dos votos, mas analistas disseram que a vantagem de Cristina nas urnas ainda pode crescer.

Seus apoiadores se concentraram na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede da Presidência da Republica, levando bandeiras e comemorando a reeleição.

"O crescimento econômico e a geração de empregos levaram os argentinos a votarem na continuidade, mas existem vários desafios pela frente", disse o economista Marcelo Elizondo, da consultoria DNI.

Segundo o cientista político Jorge Giacobbe, da consultoria Giacobbe e Associados, a presidente precisará "reconquistar a confiança" dos que, mesmo votando nela, preferiram sacar o dinheiro do banco.

O analista econômico Nestor Scibona, do jornal La Nación, informou que a saída de capitais dos bancos este ano chegou aos US$ 18 bilhões (R$ 32 bilhões) e o movimento acelerou às vésperas da eleição.

Neste ritmo, 2011 pode superar os números do ano de 2008, que registrou uma saída US$ 23 bilhões, por causa da crise do banco Lehman Brothers, da disputa do governo com o setor rural e da estatização da previdência social.

Durante a campanha eleitoral, a presidente disse que seu objetivo é "manter o crescimento econômico, com justiça social e corrigindo distorções".

Seus críticos disseram, porém, que ela não especificou quais seriam as "distorções", gerando preocupação principalmente entre os que não a apoiam.

Segundo a imprensa local, Cristina toma decisões com a ajuda de um grupo reduzido de colaboradores, que inclui seu filho, Maximo, desde a morte de Kirchner.

Números 'maquiados'

A economia argentina registrou crescimento de cerca de 7% anual, segundo dados oficiais, desde que Nestor Kirchner assumiu em 2003.

Mas os críticos dizem que os dados da inflação oficial são "maquiados" e questionam os principais números sobre a economia do país.

O governo afirma que a inflação é de cerca de 10%, mas deputados opositores estimam que ela chegue a 25%, a partir dos resultados oficiais das províncias.

O governo também diz que a pobreza atinge 8% da população, mas especialistas dizem que o índice pode chegar a 20%.

Entre os empresários, existe preocupação com as barreiras comerciais impostas pelo governo, que provocam escassez de alguns produtos nos supermercados e nas lojas.

Um estudo divulgado neste domingo pelo Instituto para o Desenvolvimento Social Argentino (IDESA) afirma que o custo trabalhista subiu 13% em dólares nos últimos anos no país e que o desafio será equilibrar este cálculo para evitar incertezas diante dos possíveis efeitos da crise internacional.

O atual ministro da Economia, Amado Boudou, é o vice-presidente na chapa de Cristina. Após a reeleição, ele deverá assumir a presidência do Senado, mas ainda não se sabe quem o substituirá.

Analistas dos jornais Clarín e La Nación, os principais do país, disseram neste domingo, que a relação da presidente reeleita com a imprensa deverá ser mais tensa no que no mandato anterior.

Segundo eles, Cristina terá mais poderes para conseguir a aprovação de um projeto que tornaria o papel de jornal um "bem público", o que poderia afetar o trabalho destas empresas.

 



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