Em meio a comoção popular, cirurgia de Cristina Kirchner é 'bem-sucedida'


O governo argentino anunciou nesta quarta-feira que foi bem-sucedida a cirurgia para a retirada de um tumor na glândula tireoide da presidente Cristina Kirchner, operada em meio a demonstrações de apoio popular.

Segundo informações oficiais, Cristina já está sem anestésicos, depois de passar três horas e meia na mesa de cirurgias. Apresenta "uma boa recuperação imediata e se encontra acordada na área de internação" do hospital, segundo comunicado divulgado pela imprensa argentina.

O câncer na tireoide de Cristina foi tornado público há alguns dias, pouco depois de ela ter tomado posse em seu segundo mandato presidencial.

A operação da mandatária - reeleita com 54% dos votos com maioria das cadeiras na Câmara e no Senado e apoio de grande parte dos governadores e dos prefeitos - gerou comoção no país.

Uma multidão de seguidores da presidente amanheceu, nesta quarta-feira, na entrada do hospital Austral, na cidade de Pilar, a 50 quilômetros do centro de Buenos Aires, onde ela foi operada. Muitos pareciam preparados para permanecer horas ou até dias no local.

Famílias inteiras, grupos de jovens e militantes que chegaram de ônibus do interior do país levaram garrafas térmicas, sanduíches, mate argentino, cadeiras de praia e barracas de acampamento, além de terços, bandeiras da Argentina, faixas e cartazes com frases de apoio - "Força Cristina", "Força Morocha (Morena)", "Cristina estamos contigo".

Militantes

Sob sol forte, alguns seguidores aplaudiram e gritaram o nome da presidente e do seu ex-marido, Néstor Kirchner (presidente entre 2003-2007), morto em outubro de 2010.

A concentração na entrada do hospital foi chamada, na mídia local, de "vigília" pela saúde da presidente. "Trouxe flores em nome do meu prefeito", disse um jovem diante das câmeras de televisão. "Só saio daqui sábado, depois que tiver certeza de que ela teve alta", disse outro.

Segundo informação oficial, a presidente deixará o hospital em até três dias.

A movimentação e o forte esquema de segurança no local modificaram o cenário de Pilar, conhecido como local de condomínios residenciais e de veraneio da classe alta argentina.

Quando o porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro, leu o boletim médico, dizendo que a cirurgia foi realizada "sem inconvenientes e sem complicações", o público aplaudiu.

Nas ruas de Buenos Aires surgiram novos cartazes com a frase "Força Cristina", que marcaram os dias após a morte de Kirchner e a campanha eleitoral que a reelegeu em outubro passado.

Devoção

Ouvidos pela BBC Brasil, os analistas Rosendo Fraga, especializado em política, e Orlando Ferreres, em economia, disseram que a reação popular à doença de Cristina é uma "característica" do peronismo - movimento político que nasceu a partir do governo de Juan Domingo Perón.

"É difícil imaginar reação parecida para um político de outra linha política, como a União Cívica Radical (UCR), por exemplo", disse Fraga.

"Os argentinos têm uma forma muito única de demonstrar devoção por seus políticos", completou Ferreres. Para eles, é uma atitude "bem diferente" da que se percebe entre eleitores brasileiros.

A situação levou o jornal La Nación a publicar um editorial no fim de dezembro, logo após o anúncio da doença da presidente, dizendo: "Chefe de Estado tem agora a oportunidade de demonstrar que o sistema institucional pode funcionar mesmo na sua ausência".

Crítico do governo Kirchner, o colunista Joaquín Morales Solá escreveu que a "concentração de poder" é "uma má receita política e um veneno para o corpo humano".

O vice-presidente Amado Bodou ocupa a Presidência em caráter temporário.

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