Com apenas 15 dias para troca, franceses ainda teriam 600 milhões de euros em francos
Nessa época atual de crise, comerciantes em várias cidades do país vêm fazendo operações para permitir que a clientela pague em francos (no caso de troco, ele é dado em euros), como forma de estimular o consumo.
"É um dinheiro que as pessoas normalmente não gastariam", diz Grace Ballandi, presidente da União de Lojistas e Artesãos de Saverdun, no sudoeste da França, que lançou em dezembro uma operação comercial que autoriza o uso do franco francês como forma de pagamento.
Nesse vilarejo de apenas 4,6 mil habitantes, 15 mil francos (cerca de 2,2 mil euros) foram utilizados em compras.
"Às vezes as pessoas não acham interessante ir à agência do Banco Central para trocar uma nota de apenas 20 francos (3 euros, menos de R$ 7) ou, se não houvesse a operação comercial, elas não teriam se lembrado de procurar os francos em casa", diz Ballandi.
Em Tours, no centro do país, os lojistas também fizeram ação comercial desse tipo entre o Natal passado e meados de janeiro e receberam 127 mil francos franceses (19,4 mil euros - R$ 44,4 mil) em vendas.
Cassinos
Uma operação de maior porte em termos de clientela é a realizada atualmente pelos cassinos e hotéis do grupo Lucien Barrière, em várias regiões do país, que passaram a aceitar, desde meados de janeiro até 12 de fevereiro, o pagamento das fichas de jogos e das diárias dos hotéis em francos franceses.
Segundo o BC francês, boa parte dos francos franceses ainda em circulação que são trocados por euros foram encontrados em bolsos de roupas, livros, gavetas e cofres abertos após falecimento.
O euro entrou em circulação em 1° de janeiro de 2002. Mas para habituar os consumidores à nova moeda, o uso do franco francês - criado em 1795 - continuou sendo autorizado como forma de pagamento até 17 de feveiro de 2002.
Segundo a lei francesa, dez anos após essa data, ou seja, 17 de fevereiro próximo, as notas de franco não poderão mais ser trocadas pelo BC e perderão a cotação legal em relação ao euro. As moedas de francos puderam ser trocadas até 2005.
Saudosismo
A crise na zona do euro, provocada pelo problema das dívidas soberanas, deixou alguns franceses saudosistas em relação à antiga moeda.
De acordo com uma pesquisa do Instituto Ipsos, publicada pela jornal Le Monde em dezembro passado, mais de um terço dos franceses (36%) se dizem favoráveis à volta do franco francês.
E quase a metade (45%) afirma que o euro representa uma fator de "deficiência" para enfrentar a crise das dívidas públicas.
A saída da França da zona do euro e o retorno do franco francês como moeda é um dos principais temas de campanha da candidata às eleições presidenciais Marine Le Pen, do partido de extrema direita Front National.
Ela é a terceira colocada nas pesquisas de opinião e ameaça, segundo analistas, a chegada do presidente Nicolas Sarkozy ao segundo turno das eleições.
Le Pen estaria cerca de 5,5 pontos percentuais atrás de Sarkozy, que está em segundo lugar, de acordo com a última pesquisa divulgada na terça-feira. O socialista François Hollande lidera as pesquisas para o pleito de 22 de abril.
Economistas afirmam que a volta do franco ao país seria uma "loucura", porque isso faria explodir a dívida pública e representaria perda de poder aquisitivo para os franceses.
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