Líder sírio aceita plano de paz da ONU, mas oposição desconfia

O governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, concordou em seguir o plano de paz proposto pelo enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan. O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo regime, embora representantes da oposição se mostrem céticos.

Leia mais

  • EFE/SANA

    Kofi Annan, da ONU, e Bashar Al Asad, presidente da Síria, se reuniram para discutir a crise

Para o ex-secretário-geral das Nações Unidas, o anúncio é "um importante passo inicial para trazer o fim da violência". Ele ressaltou que a implementação do plano, na prática, é fundamental para lidar com a situação alarmante no país, que vive intensos confrontos há mais de um ano.

Também nesta terça-feira as Nações Unidas indicaram um aumento do número de mortos no país, cuja estimativa agora é de ao menos 9 mil vítimas.

As declarações de Annan incluíram ainda um agradecimento aos russos e chineses, que após vetarem tentativas de condenação da Síria no Conselho de Segurança da ONU, mais contundentes e com caráter vinculante, decidiram apoiar a iniciativa de paz.

Após manter reuniões com o enviado especial em Pequim nesta terça-feira, o premiê da China, Wen Jiabao, disse que a situação na Síria chegou a um "ponto crítico" e que os "esforços de mediação levarão a um progresso". No fim de semana, Moscou também ofereceu apoio ao plano.

Mais cedo, Assad visitou o distrito de Baba Amr, na cidade de Homs, após quatro semanas de intensos bombardeios que deixaram ao menos 700 mortos.

Falta de prazo

O plano de seis etapas proposto por Annan e aceito por Assad inclui a retirada das forças de segurança, o fim dos bombardeios e um apelo às tropas do regime e da oposição para que coloquem em prática um cessar-fogo diário de duas horas -o que possibilita a entrega de ajuda humanitária à população.

Entre as críticas direcionadas à iniciativa estão a falta de um prazo para que as medidas sejam efetivadas e a ausência de um pedido para que Assad renuncie ao poder - a principal demanda dos manifestantes desde março do ano passado.

Em comparação, a resolução do Conselho de Segurança, caso tivesse sido aprovada por China e Rússia, incluiria um ultimato ao regime.

Analistas e oposicionistas veem o plano com ceticismo. Assad já havia prometido, anteriormente, cumprir um outro plano de paz proposto pela Liga Árabe, além de implementar reformas. As promessas, no entanto, jamais cumpridas.

Para o ativista Rami Jarrah, o anúncio nada mais é do que uma manobra do governo sírio para ganhar tempo.

"Nós já vimos isso antes, quando houve o protocolo do plano de paz proposto pela Liga Árabe, que o governo aceitou. O que aconteceu de fato, nas ruas, foi bem diferente", disse.

Refugiados

A proporções tomada pela crise na Síria e seus efeitos na região pode ser vista no êxodo de civis. Na semana passada, a ONU afirmou que 230 mil sírios deixaram suas casas desde o início dos protestos contra o governo e que, destes, 30 mil fugiram do país e 200 mil estão em outras partes da Síria.

O Alto Comissário para Refugiados da ONU disse que centenas de pessoas cruzam diariamente as fronteiras para Turquia, Líbano e Jordânia.

Os turcos, que nos últimos meses diminuíram drasticamente a relação bilateral com a Síria, ex-aliada na região, sediam nesta terça-feira uma reunião com os diferentes grupos de oposição sírios. A Turkish Airlines também anunciou a suspensão de todos os voos para o país após o fechamento da embaixada turca em Damasco.



Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos