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Do Air Force 1 à 'Besta', a megaestrutura que acompanha Trump nas viagens pelo mundo

Agentes protegem veículo presidencial de várias formas - Getty Images
Agentes protegem veículo presidencial de várias formas Imagem: Getty Images

As incríveis aeronaves, veículos e a comitiva que acompanham o presidente dos Estados Unidos.

Uma operação de segurança milionária está por trás da visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Reino Unido.

A viagem de Trump a Londres, que começou na segunda-feira, 3 de junho, pode custar o equivalente a cerca de R$ 90 milhões (18 milhões de libras).

Confira as informações sobre o comboio presidencial e o esquema de segurança:

O presidente viaja no Air Force One, que não é um avião específico, mas sim o nome dado a algumas das duas aeronaves da série Boeing 747-200B adaptadas, que levam os códigos finais 28000 e 29000.

Qualquer uma dessas aeronaves em que o presidente estiver a bordo é chamada de Air Force One - que é classificado como um avião militar, projetado para resistir a um ataque aéreo.

Ele pode bloquear radares inimigos e fazer lançamento de explosivos para confundir mísseis.

Como ele é capaz de reabastecer no ar, consegue voar por tempo indeterminado, o que é muito importante em situações de emergência.

O Air Force One também tem equipamentos de comunicação seguros, o que permite que a aeronave funcione como um centro de comando móvel. Existem 85 telefones a bordo, além de vários rádios e conexões de computador.

No interior, o presidente e seus companheiros de viagem têm um total de 370m², em três níveis diferentes. O espaço inclui uma ampla suíte presidencial, uma área médica que tem até mesa de cirurgia, sala de conferência e jantar, duas cozinhas com potencial de alimentar cem pessoas de uma vez, além de áreas específicas para empresas, convidados, segurança e assessores.

Preparativos

Vários aviões de carga, incluindo o avião de transporte C-17 Globemaster, transportam a frota de veículos blindados e helicópteros do presidente, e aterrissam antes da chegada do Air Force One.

O presidente está sempre acompanhado por um assessor militar que carrega uma maleta de emergência conhecida como "a bola de futebol nuclear".

Essa maleta contém os códigos de lançamento para um ataque nuclear americano. Dentro dela há um aparelho digital que mede 12,7 cm por 7,3 cm, conhecido como "o biscoito".

A autoridade exclusiva de ordenar uma ação militar nuclear é do presidente. Por isso, é necessário um código de identificação pessoal para ordenar um ataque.

Os carros que compõem a comitiva presidencial incluem duas limusines idênticas e outros veículos de segurança e comunicação. Eles são transportados pela Força Aérea americana antes da chegada do presidente.

No solo, o presidente é transportado no Cadillac One - uma limusine chamada de 'A Besta'. Ela transita acompanhada por outra, igual, com a mesma placa de Washington DC, 800-002.

A General Motors não divulgou detalhes sobre as características especiais de segurança do veículo.

'Limusine-tanque'

Com cerca de 9 toneladas, material blindado e janelas à prova de balas, acredita-se que o carro tenha canhões de gás lacrimogêneo, câmeras de visão noturna embutidas na dianteira e um telefone via satélite embutido.

Os pneus são reforçados com aço, o que permite que o carro ande mesmo se eles forem esvaziados. E a cabine de passageiros é selada para impedir um eventual ataque químico. Há, ainda, uma espuma especial que protege o tanque de combustível caso ele seja atingido.

Além disso, o carro pode acomodar pelo menos sete pessoas e tem vários suprimentos médicos a bordo, incluindo, segundo a NBC News, bolsas de sangue compatível com o tipo do presidente, em caso de emergência.

Mas isso não é tudo.

Outros veículos na comitiva incluem policiais, veículos de apoio do serviço secreto, equipe de contra-ataque, um veículo blindado de comunicação, médicos e profissionais da imprensa.

Trump também conta com helicópteros na viagem ao Reino Unido.

Entre eles estará o Marine One, que, como o Air Force One, não é uma aeronave específica, mas se refere a qualquer aeronave da Marinha dos EUA que esteja transportando o presidente.

O Marine One, no entanto, geralmente se refere a um dos Sikorsky VH-3D Sea King do presidente ou aos novos e menores VH-60N White Hawk.

Os helicópteros adaptados são conhecidos como "white tops" (topos brancos) devido ao design. Eles têm equipamentos de comunicação e defesa antimísseis.

Como medida de segurança, o Marine One geralmente voa com um grupo de helicópteros idênticos que atuam como "iscas".

Também está geralmente acompanhado por dois ou três aviões de escolta MV-22 da Osprey, os "green tops" (topos verdes). Eles transportam equipe de apoio, forças especiais e agentes do serviço secreto, encarregados de lidar com qualquer emergência durante o voo.

Durante a visita de Trump ao Reino Unido em 2018, os Ospreys, capazes de aterrisar na vertical e de fazer vôos de alta velocidade, foram ouvidos circulando por Londres.

Aeronaves das forças britânicas também fazem parte da operação da visita.

Serviço secreto e forças especiais

Na visita de Trump ao Reino Unido em 2018, estimativas apontam que a comitiva de Trump tinha cerca de mil pessoas, incluindo mais de 150 agentes do serviço secreto, além de médico, chef, entre outros profissionais. Na ocasião, cerca de 750 quartos foram reservados para acomodar sua comitiva, de acordo com o jornal Times.

Desta vez, a viagem de Trump teve, no início, recepção e almoço privado no Palácio de Buckingham. Também estão previstos encontros com a primeira-ministra, Theresa May, jantar na residência do embaixador dos Estados Unidos, e cerimônia, junto com membros da Família Real, para comemorar o 75º aniversário do Dia D.

A Casa Branca disse que a viagem reafirmará a "relação firme e especial entre os Estados Unidos e o Reino Unido".

Muito policiamento

O policiamento da visita do presidente é uma enorme operação.

A viagem de Trump ao Reino Unido em 2018, que durou quatro dias, teve um policiamento que custou mais de R$ 6 milhões (1,2 milhão de libras). Quase 10 mil policiais foram chamados, de equipes em todo o país, para garantir a segurança da visita, que foi recebida com protestos.

Algumas estimativas apontam que a segunda visita oficial de Trump terá uma conta de cerca de R$ 90 milhões (18 milhões de libras) em policiamento.

E, desta vez, os protestos anunciados também vão exigir reforço de policiamento. Antes da chegada de Trump, grupos contrários ao presidente americano já tinham confirmado manifestações.

Errata: este conteúdo foi atualizado
Diferentemente do informado na reportagem, são os pneus da "limusine-tanque" que são reforçados com aço. O texto foi corrigido.