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1979: Egito e Israel assinam o Acordo de Camp David

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Imagem: AFP PHOTO

Peter Philipp

26/03/2017 08h17

No dia 26 março de 1979, em cerimônia na Casa Branca, é assinado o primeiro acordo de paz entre um país árabe e Israel. O documento é um dos mais importantes marcos no processo de paz no Oriente Médio.

O acordo entrou para a história como a Paz de Camp David, em referência à residência de verão dos presidentes dos Estados Unidos. As negociações de novembro de 1978 duraram doze dias e removeram os últimos obstáculos à assinatura do documento.

Para o então presidente do Egito, Anwar Al Sadat, a paz com Israel teve significado histórico, quase divino. "Aqueles entre nós que se sentem unidos nesta visão não podem negar a dimensão sagrada de nossa missão. O povo egípcio, com sua compreensão histórica e herança única, entendeu desde o início o valor e o significado deste empreendimento ousado", declarou.

Preparativos

Um ano e meio antes, em contatos secretos, Sadat começara a preparar a paz com os israelenses. Tanto o Egito quanto Israel consideravam-se vencedores da Guerra do Yom Kippur (o Dia do Perdão, na religião judaica), que durara 19 dias, em outubro de 1973. Esse sentimento possibilitava negociações em pé de igualdade entre os dois países.

Em Israel, Menachem Begin vencera surpreendentemente as eleições. Dele não se esperava uma adesão ao processo de paz, já que, como líder nacionalista, sempre sonhara com um grande Estado de Israel.

Talvez Sadat tenha tomado a iniciativa justamente por causa da piora das chances de paz. O líder egípcio declarou no parlamento que iria "até o fim do mundo, até mesmo ao Knesset (Parlamento israelense)", em busca da solução pacífica para o conflito no Oriente Médio.

Seu discurso foi aplaudido por deputados e visitantes, entre eles o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, mas para a maioria não passava de mera retórica.

Israel corresponde

Pressionado, Begin acabou convidando Sadat para uma visita de surpresa a Jerusalém, em novembro de 1977, num gesto que abriu definitivamente o caminho para o acordo de paz.

Após esse primeiro contato, sucederam-se negociações aparentemente fáceis sobre a retirada das tropas israelenses da península do Sinai e a criação de uma autonomia para os territórios palestinos.

Os acordos de paz egípcio-israelenses foram negociados em 1978 e completados no ano seguinte em Camp David, com mediação decisiva do então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Árabes isolam Egito

Perplexo, o mundo árabe rompeu relações com o Egito e transferiu a sede da Liga Árabe para a Tunísia. A OLP rejeitou a ideia de autonomia que, 15 anos mais tarde, aceitaria em Oslo, como primeiro passo rumo à almejada independência.

Sadat sequer chegou a ver completada a retirada das tropas israelenses do Sinai. Em outubro de 1981, foi assassinado por fundamentalistas muçulmanos, que o acusavam de "haver traído o mundo árabe com o acordo de paz".

Mesmo sob resistência interna da direita, Israel devolveu o Sinai aos egípcios em 1982 e os dois estados estabeleceram relações diplomáticas. O destino da Faixa de Gaza ficou indefinido, à espera de uma solução para a questão palestina.

Acordo rende Nobel

A paz entre Egito e Israel foi avaliada internacionalmente como sinal de tanta esperança que os signatários do acordo de 26 de março de 1979 receberam o Prêmio Nobel da Paz.

Um acordo histórico de devolução dos territórios palestinos só seria assinado entre a OLP e Israel em setembro de 1993. O conflito na região, porém, prossegue, apesar das inúmeras tentativas de mediação de paz no Oriente Médio.