Israel tachou de "hipócrita" a condenação do Conselho de Segurança da ONU aos atos violentos que deixaram pelo menos nove mortes e causaram ferimentos em dezenas de pessoas no ataque israelense à frota internacional que levava ajuda humanitária a Gaza.
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Comunidade internacional condena ataqueA condenação da ONU é "precipitada, sequer houve um tempo de reflexão para considerar todos os fatos", disse à agência EFE Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Exteriores israelense.
"Esta condenação constitui um gesto automático baseado unicamente em determinadas imagens televisivas e não em um conhecimento dos fatos, além de uma dose impressionante de hipocrisia", acrescentou Palmor.
O porta-voz israelense explicou que cerca de 50 passageiros dos navios se identificaram e estão no aeroporto de Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, à espera de um voo para seus países de origem, enquanto os que se negam a dar informações foram levados à prisão de Bersheva.
Em respeito às queixas pela falta de informação sobre a identidade das nove pessoas mortas durante o ataque, que aconteceu na madrugada de segunda-feira em águas internacionais, Palmor afirma que o maior problema é a intransigência da maioria dos detidos, que se nega a identificá-los.
"Como vamos saber a nacionalidade dos mortos se não temos alguma pessoa para os identificar? É muito difícil identificar alguém morto, que não pode responder, quando seus amigos se negam a dar qualquer informação", declarou.
Palmor acrescentou que os cônsules dos países dos ativistas que se identificaram foram informados e tiveram acesso a eles.
O porta-voz lamentou o efeito que o incidente de ontem terá na imagem exterior de Israel.
"Explicar de forma detalhada tudo o que aconteceu é muito difícil, a imprensa e as pessoas só veem o resultado e não conhecem as circunstâncias e isto afeta a imagem (do país)", lamentou.
O Conselho de Segurança da ONU pediu a realização de uma investigação imparcial e crível dos fatos e condenou os "atos de força" que provocaram mortes e deixaram feridos, mas evitou condenar Israel de forma aberta.
Os membros do Conselho de Segurança negociaram durante quase 13 horas a fórmula para expressar sua preocupação perante a gravidade da operação militar israelense, que foi criticada com dureza pela comunidade internacional, e foi aprovada uma declaração presidencial, que tem uma categoria inferior à resolução de condenação solicitada por turcos, palestinos e países árabes.

Entenda o ataque
A Marinha de Israel atacou nesta segunda-feira (31) uma frota de seis embarcações com ativistas pró-palestinos que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza e entregar suprimentos à região. O ataque deixou no mínimo nove mortos.
A cineasta Iara Lee, que estava no comboio humanitário atacado em Israel nesta segunda-feira
Segundo ativistas, os barcos estavam em águas internacionais, a mais de 60 quilômetros da costa.
Os barcos, organizados pela ONG Free Gaza, levavam 750 ativistas e cerca de 10 mil toneladas de suprimentos para a faixa de Gaza.
Imagens da TV turca feitas a bordo do barco turco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros.
As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.
A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.
A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: "Todo mundo cale a boca!".
A frota de seis embarcações havia deixado as águas internacionais próximo à costa do Chipre no domingo (30) e pretendia chegar a Gaza nesta segunda-feira (31).
Israel havia dito que bloquearia a passagem dos barcos e classificou a campanha de "uma provocação com o intuito de deslegitimar Israel".
O porta-voz do Exército israelense, general Avi Benayahu, afirmou que o ataque contra a frota humanitária pró-palestina aconteceu em águas internacionais.
"O comando agiu em alto mar entre 4h30 e 5h, horário local, a uma distância de 70 a 80 milhas (130 a 150 km) de nossa costa", afirmou o general à rádio pública.
* Com informações da EFE e das agências internacionais