Dilma diz preferir barulho da imprensa a silêncio da ditadura
Dilma liderou a entrega do prêmio, criado em 1995, pela primeira vez desde que assumiu o poder, em 1º de janeiro, e evitou a alusão a seu próprio passado de presa política, mas não deixou de ressaltar que nos últimos anos o Brasil digeriu os artifícios autoritários para crescer em democracia.
O ato acontece uma semana depois de a revista "Época" divulgar uma foto de forte impacto, na qual Dilma, com apenas 22 anos, em 1970, é interrogada por um tribunal militar quando estava presa por seus supostos vínculos com grupos armados contra a ditadura que governava o país.
A chefe de Estado, hoje com 63 anos, afirmou que o Brasil ainda tem muito a fazer na área de direitos humanos, pois ainda carrega a herança da escravidão e de regimes de exceção, que "sempre deixam marcas duradouras e atitudes arbitrárias no poder público".
No entanto, destacou as virtudes da democracia comparada a uma época em que uma greve era caso de Polícia e as divergências podiam levar à prisão ou à morte.
Nesse sentido, a presidente reiterou que prefere "o barulho às vezes dolorido da imprensa livre ao silêncio das ditaduras" e rendeu especial homenagem à memória do jornalista Vladimir Herzog, que morreu em 1975, dois dias após ter sido detido por agentes da ditadura.
Segundo os agentes, Herzog foi encontrado em sua cela enforcado com sua própria gravata, mas exames posteriores revelaram que morreu em consequência das severas torturas às quais foi submetido.
Uma das 21 personalidades ou instituições premiadas por seu trabalho a favor dos direitos humanos foi precisamente o instituto que leva seu nome e é presidido por sua viúva, Clarice Herzog.
Outra distinção foi entregue para Creuza Maria Oliveira, que preside a Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas, e em um emotivo discurso evocou as 7,2 milhões de brasileiras que diariamente cuidam das casas de outras mulheres.
Oliveira pediu a Dilma que agilize os trâmites para que o país ratifique a Convenção 189, aprovada em junho pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece normas para dignificar o trabalho dos empregados domésticos.
Além disso, ela pediu à presidente que promova uma reforma no artigo 7 da Constituição brasileira, que estabelece os direitos dos trabalhadores, mas exclui os empregados domésticos de muitos destes direitos.
"A Constituição discrimina os trabalhadores domésticos e isso não pode continuar", declarou Creuza, a quem Dilma respondeu com um aplauso. EFE
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