EUA lembram 10 anos de Guantánamo entre clamores para seu fechamento imediato


Lucía Leal.

Washington, 11 jan (EFE).- Os Estados Unidos lembram nesta quarta-feira uma década da chegada dos primeiros detentos à polêmica prisão de Guantánamo, contestada por centenas de ativistas que exigem seu fechamento imediato.

No dia 11 de janeiro de 2002, a chegada de um avião militar com 20 prisioneiros a bordo ao leste da ilha de Cuba transformou uma base das Forças Armadas americanas de segunda categoria numa das prisões mais polêmicas do mundo.

Doze dos presos que chegaram então permanecem ainda nesta quarta-feira em Guantánamo, após uma década em que pelo menos oito reclusos morreram nas instalações de alta segurança da prisão, denunciou a Anistia Internacional (AI).

Entre seus muros, que chegaram a abrigar quase 800 presos, permanecem hoje 171 reclusos, lembrados nesta quarta-feira pela AI em uma manifestação desde a Casa Branca até o Capitólio americano.

Vestidos de macacões laranja e sob uma intensa chuva, 171 ativistas - um por cada detido - se congregaram diante da mansão presidencial e, mais tarde, diante da Corte Suprema e do Congresso, onde formaram simbólicas "correntes humanas" para exigir, como todo 11 de janeiro há dez anos, o fechamento da prisão.

"Os Estados Unidos têm um sistema legal internacionalmente reconhecido e não pode simplesmente violá-lo com um grupo de pessoas que decide colocar em um 'buraco negro'", disse à Agência Efe o diretor de assistência jurídica da AI, Geneve Mantri.

Em 2002, o governo de George W. Bush começou a levar a Guantánamo suspeitos de integrarem a rede terrorista Al Qaeda presos no mundo todo, considerando-os "combatentes inimigos ilegais", um novo conceito que os impedia de invocar a proteção da Convenção de Genebra.

O presidente Barack Obama prometeu em 2009 que fecharia a prisão no prazo de um ano, e o descumprimento desse compromisso deve ser uma mancha em sua campanha para a reeleição deste ano.

Durante a Administração Obama, a Casa Branca tirou 67 presos de Guantánamo, 40 deles transferidos a terceiros países, segundo os últimos dados oficiais.

Entre as organizações que exigiram nesta quarta-feira o fechamento de Guantánamo estão a Human Rights Watch (HRW), o Centro para a Justiça e a Legalidade Internacional (Cejil) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"Os EUA devem determinar a legalidade da privação de liberdade das pessoas ali reclusas, investigar e punir efetivamente os atos de tortura e de tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes cometidos contra os detidos", indicou em comunicado a CIDH, que solicitou permissão para uma visita de supervisão às instalações.



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