Policiais em greve se entregam ao Exército em Salvador


Brasília, 9 fev (EFE).- Cerca de 300 policiais militares grevistas que estavam amotinados na sede da Assembleia Legislativa do estado da Bahia, na capital Salvador, se entregaram nesta quinta-feira após o fechamento de acordo com as autoridades.

Entre os PMs que deixaram o prédio estão os líderes da greve iniciada há nove dias, Marco Prisco, que foi detido, e Antonio Paulo Angelino, informou o chefe da Comunicação Social do Exército, tenente-coronel Márcio Cunha.

Depois de os grevistas se entregarem - eles saíram pela porta dos fundos da Assembleia -, o Exército assumiu o controle total do prédio.

Com o objetivo de reivindicar melhores salários, a greve foi declarada ilegal pela justiça e deixou o estado da Bahia, na região Nordeste, e especialmente em Salvador, a capital, à mercê de criminosos pela falta de vigilância policial nas ruas.

Nesta quinta-feira, as autoridades contabilizaram que entre os dias 1º e 8 de fevereiro ocorreram 135 assassinatos em Salvador.

A greve causou grandes perdas ao comércio e ao turismo, lojas foram saqueadas nos primeiros dias de greve - antes que o Exército enviasse 3 mil homens à Bahia - e chegou a comprometer a realização do carnaval de Salvador, um dos mais tradicionais do Brasil, que começará dentro de uma semana.

Um advogado próximo aos grevistas revelou que eles optaram por se entregar depois que um tribunal negou ontem um segundo habeas corpus apresentado pelo grupo e diante da firmeza demonstrada pelo governador da Bahia, Jacques Wagner, que não aceitou anistiar os policiais participantes da greve.

Essa reivindicação bloqueou na terça-feira as negociações para pôr fim à greve. Nos últimos dias, Wagner se mostrou disposto a anistiar só os grevistas que não tivessem participado de atos de vandalismo, diante das denúncias de que alguns policiais cometeram delitos para aumentar o caos causado pela greve policial.

Uma gravação divulgada na quarta-feira à noite pela "Rede Globo" mostra líderes da greve, entre eles Prisco, propondo acordo para cometer atos de vandalismo.

Policiais de outros estados haviam ameaçado fazer greve também reivindicando melhores salários e em apoio aos colegas da Bahia.

Também ontem à noite foi detido administrativamente por 72 horas no aeroporto Tom Jobim no Rio de Janeiro o cabo do Corpo de Bombeiros do Rio Benevenuto Daciolo no seu retorno de Salvador, onde fez parte das negociações dos policiais com as autoridades da Bahia.

As conversas gravadas indicam que Daciolo estava organizando com policiais de outros estados formas de estender a greve para diferentes regiões do país.

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