Irã acusa Ocidente de tentar manipular conversas com AIEA

EFE

Teerã, 23 fev (EFE).- O representante permanente do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Ali Asghar Soltanieh, acusou alguns países ocidentais de tentar manipular as conversas de Teerã com a agência nuclear da ONU e se mostrou disposto a continuar com as negociações.

"As conversas e a cooperação (entre a AIEA e o Irã) continuarão, por isso recomendamos a certos países ocidentais que se abstenham de intervir", disse Soltanieh em entrevista divulgada nesta quinta-feira pela agência oficial "Irna".

Em suas declarações, o representante destacou que o Irã não apenas respeitou as normas internacionais que constam no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário, mas "sempre cooperou" com a AIEA.

Segundo ele, as duas últimas rodadas de discussões mantidas em Teerã de 29 a 31 de janeiro e em 20 e 21 de fevereiro entre cinco especialistas da AIEA e as autoridades locais "demonstraram a disposição do Irã de colaborar com o organismo internacional".

Na quarta-feira, a AIEA anunciou por meio de um comunicado em Viena que as conversas não avançaram nos pontos pendentes da investigação sobre o programa nuclear do Irã, do qual suspeitam que esconda uma vertente militar.

A AIEA indicou que seus técnicos não receberam permissão para inspecionar a instalação militar de Parchin, próxima a Teerã, onde suspeitam que haja atividades nucleares armamentistas.

Neste sentido, Soltanieh disse que para qualquer visita a instalações nucleares ou a locais onde supostamente são desenvolvidas atividades relacionadas ao programa atômico "é preciso levar em consideração o que foi estipulado por ambas as partes".

De acordo com o representante, no último encontro de Teerã, o Irã respondeu "a todas as perguntas sobre sua atividade nuclear", que tem exclusivamente fins civis e pacíficos.

Na nota da AIEA, seu diretor-geral, Yukiya Amano, afirmou: "É decepcionante que o Irã não tenha aceitado nosso pedido de visitar Parchin durante a primeira e segunda visitas dos cinco analistas da missão".

"Nós negociamos com espírito construtivo, mas não conseguimos fazer nenhum acordo", disse Amano, que deve emitir ainda nesta semana um novo relatório sobre a investigação do programa nuclear do Irã.

A reunião com a AIEA em Teerã ocorreu antes do encontro previsto entre as autoridades do Irã e o Grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha) para tratar sobre o programa nuclear iraniano.

Ainda não há data nem sede programadas para essa reunião, embora o encontro possa acontecer em Istambul. O tema debatido será a proposta russa do "passo a passo" para desbloquear o conflito internacional decorrente do polêmico programa nuclear do Irã.

Em 13 de julho do ano passado, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, propôs uma aproximação "passo a passo" do Irã com a AIEA e o 5+1, que levaria a um processo "por fases", no qual o Irã daria "passos" para abordar as questões colocadas pela AIEA, que por sua vez também tomaria suas "medidas".

O plano russo, proposto por Lavrov após se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a secretária de Estado desse país, Hillary Clinton, aponta que as aproximações "passo a passo" levarão a uma redução gradual das sanções internacionais ao Irã.

No entanto, desde então, a situação se agravou, os EUA e a União Europeia (UE) reforçaram suas sanções, enquanto personalidades de Tel Aviv, Washington e Londres apontaram possíveis ataques ao Irã para frear seu programa nuclear.

Teerã reafirmou que não abandonará seu programa nuclear, que insistiu ser exclusivamente pacífico, e advertiu que dará uma resposta "esmagadora" a qualquer ação militar contra o Irã.

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