Camponeses paraguaios aceitam deixar terras de "brasiguaios"


Em Assunção

Um grupo de camponeses paraguaios acampados numa fazenda de produtores brasileiros de soja aceitou neste sábado deixar a propriedade após negociações e o compromisso do governo de atender suas reivindicações.

A fazenda fica localizada em Ñacunday, no departamento Alto Paraná, a 400 quilômetros de Assunção, no Paraguai. O governador do departamento de São Pedro, José Ledesma, que se reuniu neste sábado ao lado de outras autoridades com o grupo de sem-terras, conhecidos como "carperos", confirmou à imprensa local que os camponeses aceitaram ser transferidos nos próximos dias em caminhões militares ao Parque Nacional de Ñacunday.

As autoridades propuseram aos "carperos" que eles aguardem no parque enquanto buscam uma solução para o conflito que ocorre desde meados do ano passado na região, que faz fronteira com o Paraná.

Os sem-terra exigem do governo a devolução de terras públicas que teriam sido transferidas de maneira irregular durante a ditadura de Alfredo Stroessner ao brasileiro Tranquilo Favero, o maior produtor individual de soja do Paraguai, que arrenda parte de seus terrenos a outros produtores "brasiguaios", como se conhece os colonos brasileiros neste país.

Um dos advogados de Favero, Guillermo Duarte, criticou o acordo e disse que a polícia deveria despejar os "carperos" por invasão de propriedade.

Duarte disse ainda que a decisão faz com que os camponeses possam não ser processados. Ele reclamou também que os sem-terra não foram retirados para um local realmente afastado da propriedade de Favero.

A medida também foi criticada por organizações de proteção ao meio ambiente, que alertaram para possíveis danos no Parque Nacional Ñacunday.

O acordo chega quatro dias depois do Supremo autorizar o desbloqueio do processo de medição das propriedades na região. O presidente paraguaio, Fernando Lugo, afirmou recentemente que usará de todos os meios para evitar ocupações e enfrentamentos em Ñacunday.

Lugo admitiu que existem irregularidades nas terras da região, mas disse que compete à Justiça decidir quem são seus verdadeiros proprietários.

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