Obama assegura "não esconder nada" em negociações com a Rússia

Em Seul

  • Yuriko Nakao/Reuters

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acena enquanto caminha em palco para realizar discurso

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acena enquanto caminha em palco para realizar discurso

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou nesta terça-feira (27) que "não esconde nada" sobre as negociações entre Washington e Moscou quanto à defesa antimísseis, uma área de desacordo entre os dois países.

Segundo o presidente americano, dado que 2012 é um ano de eleições nos dois países, não deve surpreender que não se possa chegar a um acordo com rapidez, pelo que prefere dedicar o resto do ano a negociações técnicas com a Rússia para aplanar o caminho no futuro.

"Um acordo sobre defesa antimísseis envolve muitos assuntos complicados. Se pudermos conseguir que nossas equipes técnicas abram o caminho, tomara que isso aconteça em 2013, haverá uma base para obter progressos significativos neste e em outros tipos de temas", declarou Obama.

Segundo apontou, um de seus objetivos é alcançar uma maior redução dos arsenais nucleares, e um dos principais obstáculos são as diferenças sobre a defesa antimísseis.

"Não é que esteja escondendo nada. Gradualmente, sistematicamente, com o tempo quero ver que reduzimos nossas armas nucleares", declarou o presidente americano.

As declarações de Obama à imprensa que lhe acompanha na Cúpula sobre Segurança Nuclear, que se encerra nesta terça-feira em Seul, acontecem depois de os microfones terem surpreendido uma conversa privada entre ele e o presidente russo, Dmitri Medvedev.

Nesse diálogo, Obama indicava que após sua reeleição teria "mais flexibilidade" para tratar com a Rússia sobre os desacordos entre os dois países acerca da defesa antimísseis.

Por isso, pedia a Medvedev que transmitisse a seu sucessor, o ex-presidente Vladimir Putin, que lhe desse "espaço" até as eleições de novembro.

Essa conversa provocou uma tempestade política nos Estados Unidos, onde os aspirantes republicanos à Presidência acusaram Obama de preparar uma política mais branda em direção à Rússia no futuro sem informar à população.

Por sua parte, o presidente americano optou por tratar de minimizar a importância do fato e nesta terça-feira brincou com Medvedev enquanto ambos aguardavam o começo da sessão plenária na cúpula.

Com um sorriso no rosto, Obama pôs a mão sobre o microfone enquanto trocavam algumas palavras na sala de reuniões.

A Rússia se opõe aos planos americanos de desenvolver um escudo de defesa antimísseis na Europa, anunciado originalmente pelo presidente George Bush e modificado pelo Governo Obama, ao considerar que representa uma ameaça para a Rússia.

Os EUA rejeitaram esta possibilidade e asseguram que seus planos têm o objetivo de proteger a Europa de um possível ataque por parte de Estados hostis.



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