Ataque contra estudantes cristãos na Nigéria causa morte de 18 pessoas

Lagos, 29 abr (EFE).- Pelo menos 18 estudantes morreram neste domingo num ataque com explosivos e armas de fogo realizado contra um auditório da Universidade de Bayero, em Kano, na Nigéria, onde dezenas de jovens acompanhavam uma missa.

Segundo a versão digital do jornal local "Leadership", dezesseis estudantes e dois professores perderam a vida no ataque, que tinha como alvo a comunidade cristã da localidade, de maioria muçulmana.

Testemunhas disseram ao jornal que verificaram a existência de 18 corpos no local. A polícia provincial, no entanto, só confirmou oito vítimas, enquanto o porta-voz da universidade, Mustapha Zahradeen, afirmou que só sete pessoas morreram no ataque.

Um número ainda indeterminado de feridos foi levado para o Hospital Universitário Malam Aminu Kano, na cidade de Kano, afirmaram fontes dos serviços de emergência da localidade.

Seis homens armados invadiram na manhã de hoje o teatro, onde estudantes cristãos costumam celebrar cerimônias religiosas. O ataque durou meia hora e só terminou quando soldados da Força Militar Conjunta da Nigéria chegaram ao local. De acordo com o "Leadership", ocorreram três explosões no local.

Os homens armados jogaram bombas no interior da sala e dispararam contra as pessoas que tentavam sair do auditório, segundo relato de testemunhas ao jornal nigeriano "Vanguard".

Nenhum grupo reivindicou até o momento a autoria do atentado, embora a suspeita recaia sobre organização islâmica Boko Haram, que há meses vem realizando ataques contra alvos cristãos, principalmente no norte e centro do país.

O Boko Haram luta para implementar a lei islâmica na Nigéria, país que é de maioria muçulmana no norte, e católica, no sul.

Em janeiro, os jihadistas mataram pelo menos 185 pessoas numa série de ataques coordenados nesta mesma cidade do norte da Nigéria, segundo dados divulgados pela polícia provincial.

Na Semana Santa, o Boko Haram matou pelo menos 38 pessoas num atentado realizado em duas igrejas em Kaduna. No Natal, o grupo perpetrou uma onda de atentados que custou a vida de 40 pessoas.

O atentado de hoje ocorreu poucos dias depois da seita islâmica Boko Haram realizar um ataque coordenado às redações do jornal "This Day" em duas localidades do país, que deixaram seis mortos e dezenas de feridos.

Desde 2009, o Boko Haram matou cerca de 1.200 pessoas, a maioria em ataques perpetrados no norte da Nigéria, segundo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, marechal Oluseyi Petinrin.

Com cerca de 150 milhões de habitantes divididos em mais de 200 grupos tribais, a Nigéria, o país mais populoso da África, sofre com tensões por suas profundas diferenças políticas, religiosas e territoriais.

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