Confronto em protesto salafista deixa pelo menos 91 feridos no Cairo

Em Cairo

  • Ahmed Ali/AP

    Manifestantes salafistas entram em confronto com moradores do bairro de Abassiya, em Cairo, durante protesto pedindo o fim do regime militar no país

    Manifestantes salafistas entram em confronto com moradores do bairro de Abassiya, em Cairo, durante protesto pedindo o fim do regime militar no país

Pelo menos 91 pessoas ficaram feridas na madrugada de sábado (28) para domingo (29) em choques entre manifestantes salafistas e moradores do bairro cairota de Abassiya, onde acontecia um protesto na frente do Ministério da Defesa, informou à Agência Efe o subsecretário de Saúde, Hisham Shiha.

Shiha detalhou que os ferimentos foram causados por balas de borracha e pelo impacto de pedras.

Dos 91 feridos, 14 continuam internados, enquanto 77 receberam alta após serem atendidos em hospitais da região.

O site do jornal estatal "Al-Ahram" afirmou que entre os manifestantes havia muitos partidários do xeque salafista Hazem Abu Ismail para protestar contra a decisão da Comissão Eleitoral de excluir sua candidatura das eleições presidenciais de maio pela suposta nacionalidade americana de sua mãe.

O jornal detalhou que o grupo de moradores atacou com coquetéis molotov e tijolos os salafistas, que eram dezenas, e acrescentou, citando testemunhas, que também foram escutados disparos nas imediações do Ministério, cenário habitual de protestos em apoio à Junta Militar.

Por sua parte, o jornal independente "Al Masry Al-Youm" disse em seu site que os manifestantes responderam aos agressores e lançaram pedras.

O periódico apontou que os seguidores de Abu Ismail formaram uma barreira humana para deter os choques enquanto cantavam "Deus é Grande" e "Abaixo o mandato dos militares".

Os manifestantes haviam se reunido ontem na frente do Ministério, enquanto a Junta Militar se reunia com os líderes das principais forças políticas para buscar um consenso para formar uma nova Assembleia Constituinte.

No final, foi alcançado um acordo de seis pontos para criar uma nova assembleia, depois que a anterior foi invalidada no último dia 10 pela justiça após o boicote dos liberais.



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