Premiê de Mali assegura que não renunciará
Em Bamaco (Mali)
O primeiro-ministro transitório de Mali, Cheik Modibo Diarra, assegurou neste sábado (28) em discurso pela televisão, que não renunciará de seu cargo, como exigia a principal plataforma da oposição antigolpista.
"Não renunciarei, sou filho deste país e quando meu país me encarrega de uma missão a realizo", disse Diarra em seu primeiro discurso após o retorno na sexta-feira (27) ao país do presidente de transição Dionkounda Traoré, que passou dois meses na França para se submeter a exames médicos, após ser agredido por manifestantes que invadiram o palácio presidencial.
O primeiro-ministro, cuja missão é canalizar a transição para um sistema de Governo civil, reunificar o país e realizar eleições, respondia com estas palavras à plataforma antigolpista Frente para a Salvaguarda da Democracia e da República (FDR), que na quarta-feira passada pediu a renúncia do chefe do Executivo, ao qual acusou de não ser capaz de tirar Mali da crise.
Diarra fez menção de maneira indireta ao FDR, a quem acusou de ser um grupo de pressão estrangeira e ressaltou que era o povo que tinha a última palavra.
Além disso, Diarra declarou que a "guerra" contra os grupos armados e os radicais islâmicos que controlam desde o final de março o norte do país é uma questão que concerne a toda a comunidade internacional.
"Precisamos preparar a guerra. Uma guerra que não é somente de Mali, mas de toda a comunidade internacional", disse Diarra.
O primeiro-ministro, reconhecendo a complexidade da situação, insistiu que "na arte da guerra" são necessários meios e o momento adequado para o ataque.
Neste sentido, pediu paciência e contenção aos chamados grupos de defesa, formados para enfrentar os movimentos armados que controlam o norte de Mali.
O país africano vive imerso em uma complexa crise institucional, política e territorial desde março passado, quando um grupo de militares liderados pelo capitão Amado Haja Sanogo, derrubou o presidente Amado Tumani Turé.
Aproveitando o caos que seguiu ao levante, vários grupos rebeldes tuaregues expulsaram as tropas governamentais do norte de Mali e proclamaram o estado de Azawad, que não foi reconhecido por nenhum estado e cuja existência se esvaiu depois que o grupo que o tinha anunciado foi, por sua vez, expulso pelo grupo radical islâmico, Ansar al Din.
Desde então, e com a mediação da Comunidade Econômica de Estados da África de Oriente (Cedeao), as forças políticas e os militares tentam se colocar de acordo para a restauração da ordem constitucional, sem perder de vista o norte do país, um território por onde circulam comodamente grupos armados, rebeldes e terroristas islâmicos.






