Chavistas se despedem de seu líder com grito: "Chávez vive, a luta continua"

Carola Solé
Em Caracas

Com o coração na mão por ter perdido "fisicamente" o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, milhares de seus seguidores tomaram nesta quarta-feira (6) as ruas de Caracas em um emotivo e prolongado cortejo fúnebre no qual, com o grito "Chávez vive, a luta continua", se negavam a crer na morte de sua revolução bolivariana.

Como não podia ser de outra forma, um autêntica maré de massas se despediu do "presidente do povo" no centro da capital em seu percurso de mais de seis horas de duração, no qual muitos choravam desconsoladamente.

"O luto é algo que cada pessoa sente, venho com um coração na mão", disse, às lágrimas e abraçando sua esposa, Alfredo, um engenheiro civil de 45 anos.

"Acho que não poderia viver o resto da minha vida se não acompanhasse o presidente, pelo menos, neste último passeio, ainda que fisicamente", disse ele à Agência Efe.

Desde o começo da manhã, milhares de chavistas se concentraram nas imediações do Hospital Militar de Caracas para acompanhar o corpo do líder até a Academia Militar, onde de hoje e até sexta-feira será realizado seu velório.

Escoltado por membros do governo e da Guarda de Honra Presidencial e, na parte final, também pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, o carro fúnebre avançava lentamente entre uma maré vermelha que lhe mandava beijos, lhe jurava fidelidade e lhe lançava lembranças.

De fato, ao término do percurso, o caixão do presidente já estava repleto de camisetas, flores, fotos e outros objetos, formando uma curiosa coletânea de mostras de carinho.

"Te amarei para sempre, meu pai", dizia um dos improvisados cartazes levados por uma jovem.

As lágrimas de seus fãs incondicionais se fundiam com as dos membros do governo, da Guarda de Honra e dos soldados do forte dispositivo policial disposto para a ocasião.

"Estamos com vocês!", gritavam os chavistas cada vez que avistavam algum ministro ou dirigente político, que ficaram sem seu carismático líder.

Como órfãos se sentiam também hoje muitos venezuelanos na concentração, apesar de estavam convencidos de que o legado que o presidente lhes deixou já é indestrutível.

"Vamos continuar com a luta. Os revolucionários somos afortunados por termos tido esse líder, mas agora temos que nos unir e nos mobilizar", disse Lenin Sevilla, um administrador de 35 anos.

Perto dele, Rosa Valera, uma aposentada de 69 anos, acompanhada por amigas que nem sequer tinham energias para poder falar, afirmou estar "muito comovida, muito triste e pedindo a Deus que o tenha no lugar onde tem que ficar".

E muitos na concentração falavam da morte física de Chávez, mas não da espiritual.

"Chávez somos todos", "Chávez vive, a luta continua" ou inclusive "Chávez, ao Panteão" foram alguns dos lemas e reivindicações ouvidos na concentração.

"Não acho que exista uma pessoa da magnitude de Chávez como político, como ser humano, com um coração de verdade", argumentou Alejandro Reyes, um aposentado de 68 anos.

Nem o sol incessante incomodou seus seguidores, que não quiseram perder esse ato de tributo a um presidente que muitos já veem como um mito.

O chavismo terá tempo para velar Chávez na Academia Militar até sexta-feira, quando líderes de todo o mundo se unirão ao luto que hoje foi oficializado pela Venezuela.

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