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Opositor de Maduro, Leopoldo López deixa presídio na Venezuela e está em prisão domiciliar

Lepoldo López em 2014 - JUAN BARRETO/AFP
Lepoldo López em 2014 Imagem: JUAN BARRETO/AFP

De Caracas

08/07/2017 10h22Atualizada em 08/07/2017 12h17

O líder opositor venezuelano Leopoldo López deixou na madrugada deste sábado o presídio militar de Ramo Verde, perto de Caracas, e passou a cumprir prisão domiciliar, informou à Agência Efe o advogado espanhol Javier Cremades, que  faz parte de sua defesa.

A prisão domiciliar concedida se deveu a "problemas de saúde", segundo informou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela.

Através da rede social Twitter, o Poder Judiciário indicou que a Sala Penal do Supremo, composta por todos os magistrados do TSJ, outorgou "prisão domiciliar a Leopoldo López por problemas de saúde".

Posteriormente, em comunicado, o tribunal explicou que "se avocou de ofício à causa contra o cidadão Leopoldo López, em virtude que existiam sérios assinalamentos de irregularidades sobre a distribuição do expediente a um Tribunal de Execução".

Apoiadores se reúnem na entrada da casa do líder da oposição venezuelana, Leopoldo López, que foi encaminhado a prisão domiciliar, neste sábado (8), depois de mais de três anos de regime fechado, em Caracas - Andres Martinez Casares/Reuters - Andres Martinez Casares/Reuters
Apoiadores se reúnem na entrada da casa do líder da oposição venezuelana, Leopoldo López, que foi encaminhado a prisão domiciliar, neste sábado (8), depois de mais de três anos de regime fechado, em Caracas
Imagem: Andres Martinez Casares/Reuters

"Em virtude de informação recebida sobre a situação de saúde do dirigente político, o magistrado conferente Maikel Moreno considerou ajustado a direito outorgar uma medida humanitária a López", continua o texto.

López estava na prisão de Ramo Verde desde o dia 18 de fevereiro de 2014, quando se entregou voluntariamente à polícia após ter sido expedido um mandado de detenção contra eles pelos incidentes ocorridos em uma manifestação seis dias antes convocada por ele e outros. Em setembro de 2015, López foi condenado a quase 14 anos de prisão pelos fatos ocorridos na manifestação de 12 de fevereiro.

Visita do chanceler venezuelano

O advogado espanhol Javier Cremades, que faz parte da defesa do opositor, informou à Agência Efe que o chanceler venezuelano, Samuel Moncada, visitou López na prisão na noite de sexta-feira (7), antes que o recluso fosse trasladado para a residência em Caracas na madrugada.

Lilian Tintori, esposa do político, divulgou no dia 23 de junho um vídeo de 26 segundos em que López grita: "Estão torturando", de dentro da prisão.

"Lilian, me estão torturando. Denunciem, denunciem. Lilian, denuncie", grita López para Tintori, segundo é possível escutar em uma gravação feita nos arredores da prisão.

Tintori conseguiu visitar López na sexta-feira, depois que ela, seus filhos e advogados de defesa tiveram o acesso à prisão negado por 32 dias por causa da divulgação do vídeo.