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Mujica renuncia ao cargo de senador por motivos pessoais e "cansaço"

Foto de 2016 do ex-presidente uruguaio em Franca (SP) - Igor do Valle/Estadão Conteúdo
Foto de 2016 do ex-presidente uruguaio em Franca (SP) Imagem: Igor do Valle/Estadão Conteúdo

14/08/2018 11h40

O ex-presidente do Uruguai José Mujica, de 83 anos, renunciou nesta terça-feira (14), mediante uma carta, ao cargo de senador por motivos pessoais e "cansaço".

Os motivos são pessoais, diria 'cansaço da longa viagem'

O ex-mandatário foi eleito para o Senado depois de ocupar a Presidência entre 2010 e 2015.

Além disso, o documento aponta que "o caráter de renúncia voluntária e a legislação vigente apontam que não corresponde o benefício do subsídio estabelecido", já que ele receberá "aposentadoria".

Pepe Mujica apresenta renúncia - Senado del Uruguay / Reproducción - Senado del Uruguay / Reproducción
Reprodução da carta apresentada pelo ex-presidente ao senado uruguaio
Imagem: Senado del Uruguay / Reproducción
Mujica também utilizou esta carta para "pedir desculpas muito sinceras" se alguma vez, "no calor dos debates", feriu "pessoalmente algum colega".

Além disso, o político ressalta na carta que, enquanto sua mente funcionar, não desistirá "da solidariedade e da luta por ideais".

Em 6 de agosto, o ex-presidente explicou em entrevista à agência Efe que pensava em deixar seu assento no Parlamento porque queria tirar uma "folga" antes de morrer, dada sua avançada idade.

"Vejo que tenho 83 anos e vou me aproximando da morte. Quero tirar uma licença antes de morrer, simplesmente, porque estou velho", ressaltou Mujica.

Leia a íntegra da carta

"Senhora Presidente do Senado

Lucia Topolansky

De minha parte:

Solicito ao corpo que a senhora preside aceitar minha renúncia ao cargo de Senador.

Os motivos são pessoais, diria 'o cansaço da longa viagem'. O caráter da renúncia voluntária e a legislação vigente sinalizam que não corresponde o benefício do subsídio estabelecido, porque serei acolhido pela aposentadoria.

No entanto, enquanto minha mente funcionar, não posso renunciar à solidariedade e à luta de ideais.

Se alguma vez, no calor dos debates, cheguei a ferir pessoalmente algum colega, peço desculpas sinceras.

Sem mais, cumprimento a senhora, o corpo do Senado e a todos os funcionários, com consideração e estima."