Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 7 de abril (Reuters) - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ficou praticamente estável em março sobre fevereiro, contrariando a previsão do mercado de uma desaceleração, e a taxa em 12 meses aproximou-se ainda mais do teto da meta do ano.
O número forte, no entanto, não deve mudar o cenário para o juro básico, já que as pressões vistas no começo do ano devem arrefecer, como o Banco Central já reiterou várias vezes.
O IPCA subiu 0,79 por cento em março, praticamente repetido a alta de 0,80 por cento em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
Analistas ouvidos pela Reuters previam para março leitura de 0,70 por cento, segundo mediana de 17 estimativas que ficaram entre 0,54 e 0,78 por cento.
A taxa em 12 meses acelerou a alta de 6,01 por cento em fevereiro para 6,30 por cento, maior patamar desde novembro de 2008 e muito perto do teto da meta de 6,5 por cento --o centro é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
"A inflação está em nível alto e com (a taxa em) 12 meses crescendo. O patamar de inflação está diferente de 2010", disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.
Em março, os preços do grupo Alimentos subiram 0,75 por cento, acima da elevação de 0,23 por cento em fevereiro.
"Ainda que o item carnes tenha continuado em queda, constituindo a mais intensa contribuição para baixo, grande parte dos produtos alimentícios teve aumento de preço de um mês para o outro, a exemplo da batata inglesa, do ovo, do feijão carioca, do açúcar cristal, do leite pasteurizado e da farinha de trigo", disse o IBGE em nota.
Outros destaques de alta foram Vestuário --cujos custos passaram de queda de 0,25 por cento em fevereiro para aumento de 0,56 por cento em março-- e Transportes --com avanço de 1,56 por cento agora contra 0,46 por cento antes.
A pressão de Transportes decorreu de passagens aéreas e combustíveis. A gasolina contribuiu com 0,08 por cento e o álcool com 0,04 ponto percentual.
No primeiro trimestre, o IPCA subiu 2,44 por cento.
"Apesar de a inflação ao consumidor ter encerrado o primeiro trimestre acima do projetado pelo Banco Central no último Relatório Trimestral de Inflação, avaliamos que a autoridade monetária manterá o plano de encerrar o ciclo de aperto monetário neste mês, como sinalizado no documento", disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets.
"No entanto, julgamos que o BC irá adotar novas medidas macroprudenciais de restrição de crédito para auxiliar no combate à inflação."
ABRIL
Em abril, ainda há algumas pressões previstas para o IPCA, segundo Eulina.
Haverá impacto de aumentos em energia no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, táxi e metrô no Rio de Janeiro e tarifa de água e esgoto em Belo Horizonte e Curitiba.
Haverá ainda algum resíduo do reajuste de ônibus em Fortaleza e Curitiba e do aumento dos remédios.
"Abril vai ter concentração de reajustes importante para o consumidor", disse ela.