Com forte perda no 3o tri, Hypermarcas reduz previsões

Reuters

Por Vivian Pereira

SÃO PAULO, 7 de novembro (Reuters) - A desaceleração das vendas que vem servindo de pano de fundo para boa parte das empresas de consumo também se refletiu nos números trimestrais da Hypermarcas, que apurou prejuízo mais que duas vezes superior ao esperado pelo mercado e reduziu pela segunda vez a previsão de rentabilidade para o ano.

A companhia de bens de consumo fechou o terceiro trimestre com perda líquida de 190,5 milhões de reais, após lucro de 78 milhões de reais um ano antes.

A média de sete previsões de analistas obtidas pela Reuters apontava prejuízo de 88,4 milhões de reais para a empresa no período.

Mas, ao contrário da tendência vista no caso das varejistas, por exemplo, em que a queda na demanda tem figurado como vilã dos resultados, a Hypermarcas sofreu fortes efeitos ao intensificar a implementação da sua nova política comercial, visando a desestocagem dos clientes.

Com isso, de julho a setembro, a companhia viu suas vendas orgânicas recuarem 11,9 por cento ano a ano. "Acreditamos que esse processo de desestocagem esteja próximo do final", afirmou a empresa no balanço, assinalando que o equilíbrio deve ser atingido a partir do início de 2012.

Nesta política comercial, a Hypermarcas, diminuiu descontos de preços de seus produtos ao varejo e cortou prazos, para os clientes reduzirem os estoques e passarem a comprar com maior frequência.

"O principal objetivo da implementação desta nova política comercial, a geração de caixa operacional, está sendo cumprido... o forte fluxo de caixa operacional deve continuar ao longo dos próximos trimestres", acrescentou a empresa. No terceiro trimestre, a geração de caixa operacional foi 181,3 milhões superior à de um ano antes.

A receita líquida no período foi de 908 milhões de reais, 10,4 por cento a mais que no mesmo intervalo de 2010.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 24,4 por cento na comparação anual, para 138 milhões de reais de julho a setembro deste ano, abaixo da previsão média de analistas, de 204,1 milhões. Já a margem Ebitda caiu 7 pontos percentuais, para 15,2 por cento.

A adoção da nova política comercial também levou a Hypermarcas a reduzir, pela segunda vez, a estimativa de Ebitda para 2011, para 700 milhões de reais. A projeção já havia sido diminuída em meados de agosto para cerca de 900 milhões de reais, contra previsão de valor acima de 1 bilhão de reais antes.

Para o ano que vem, a empresa estima Ebitda de mais de 850 milhões de reais.

A companhia apontou o aumento das incertezas macroeconômicas e da desaceleração da economia global, somado à decisão de finalizar a implantação da nova política comercial ainda em 2011.

A Hypermarcas informou ainda que, no trimestre passado, encerrou as iniciativas de implantação de sinergias referentes às aquisições feitas em 2009 e 2010, totalizando 257 milhões de reais, sendo que 162 milhões foram capturados nos três meses até setembro e o restante deve ser concluído até o final do primeiro semestre de 2012.



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