Bolívia declara situação de emergência por chuvas

Carlos A. Quiroga
Em La Paz

O governo da Bolívia declarou nesta quarta-feira (22) "situação de emergência nacional" para enfrentar a maior onda de chuvas em cinco anos, com severas inundações que deixaram mais de 9.000 famílias sem teto, interrupções nas estradas e extensos danos agrícolas ainda não contabilizados.

A mídia local informou que as inundações e outros desastres causados pelas chuvas deixaram pelo menos oito mortos. Uma cidade brasileira no Acre, perto da fronteira com a Bolívia, também foi afetada.

"O decreto supremo está sendo emitido hoje [quarta-feira] no qual se declara situação de emergência nacional", indicou o ministro da Defesa, Rubén Saavedra, em entrevista coletiva, depois de uma reunião do gabinete do presidente boliviano, Evo Morales.

"Isso permitirá fornecer os recursos econômicos necessários para atender às demandas e às necessidades dos desabrigados", acrescentou a autoridade.

Não estava disponível de imediato um cálculo oficial do impacto econômico dos desastres, mas a situação, atribuída pelo estatal Serviço Nacional de Meteorologia ao fenômeno climático La Niña, poderia se agravar caso seja confirmada a previsão de que as fortes chuvas continuarão até meados de março.

O decreto de emergência foi anunciado após os quatro dias de celebrações do Carnaval, que também deixaram ao menos 60 mortos, o triplo do informado anteriormente e uma alta de 50% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a polícia.

As mortes atribuídas ao fenômeno La Niña aconteceram em La Paz, onde foram registrados vários deslizamentos de casas, e no departamento de Pando, no norte do país, onde um aumento raro do rio Acre inundou grande parte da cidade de Cobija e da cidade brasileira de Brasileia, mostraram imagens da televisão estatal.

O mesmo rio, que nasce em território peruano, cobriu por completo um pequeno povoado chamado Bolpebra, que marca o ponto de confluência de Bolívia, Peru e Brasil, onde centenas de habitantes perderam suas casas e todos os seus pertences, de acordo com a mídia.

A embaixada do Brasil informou em comunicado que muitos moradores de Bolpebra se refugiaram em território brasileiro.

"O Brasil também atendeu com solidariedade ao pedido da Defesa Civil boliviana para que suas equipes possam entrar em território brasileiro para poder alcançar pontos do território boliviano que ficaram isolados", acrescentou o comunicado.

O vice-ministro da Defesa Civil afirmou nesta quarta-feira que ao menos 9.066 famílias haviam perdido total ou parcialmente suas moradias em todo o país.

Janeiro e fevereiro são, normalmente, os meses mais chuvosos na Bolívia, e as chuvas deste ano parecem ter superado amplamente as médias históricas.

titulo-box Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos