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Brasileira é uma das vítimas do atentado à basílica de Nice, na França

Autoridades trabalham no local onde ocorreu um ataque a faca em Nice, na França  - Valery Hache/AFP
Autoridades trabalham no local onde ocorreu um ataque a faca em Nice, na França Imagem: Valery Hache/AFP

Da RFI, em Paris (França)

29/10/2020 19h42Atualizada em 30/10/2020 11h38

O Consulado Geral do Brasil, em Paris, confirmou que uma das vítimas do atentado terrorista na basílica Notre-Dame de Assunção, ocorrido hoje no centro de Nice, era a brasileira Simone Barreto Silva. Nascida em Salvador (BA), Simone tinha 44 anos, morava na França há 30 e deixou três filhos.

Segundo uma prima que falou com a reportagem da RFI, mas preferiu não se identificar, Simone —que foi ferida à faca e morreu num restaurante quase em frente à catedral, onde tinha tentado se refugiar— estava na França há 30 anos e deixou três filhos. Uma das últimas frases da vítima teria sido: "Diga aos meus filhos que eu os amo".

Um dos proprietários do restaurante l'Unik, onde Simone chegou completamente ensanguentada, Brahim Jelloule, falou à TV France Info, ainda em estado de choque, que esteve em contato com Simone nas sua última hora e meia de vida.

"Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e meu irmão e um dos nossos funcionários a recuperaram, a colocaram no interior do restaurante, sem entender nada, e ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja.

O irmão de Jelloule e o funcionário chegaram a entrar na igreja, mas viram o homem armado com uma faca, foram ameaçados pelo terrorista e saíram correndo, para não morrerem também. Foram eles que chamaram a Polícia. Segundo Jelloule, Simone morreu uma hora e meia depois de ter sido ferida. O atentado ocorreu às 9h da França (5h da manhã em Brasília).

Muçulmano, Jelloule se diz chocado com o atentado: "Isso não é o Islã. Eu conheço o Corão de cór, e não é isso que ele prega", disse.

Ainda de acordo com a prima, a família só foi avisada que Simone era uma das vítimas às 18h30 (14h30 horário de Brasília).

A RFI também está em contato com o Consulado do Brasil em Paris, que falou brevemente com a irmã da vítima, e disse que está em acompanhando o caso e pode ajudar nos trâmites burocráticos. O cônsul honorário do Brasil em Nice também está em contato e deve dar mais informações na sexta-feira pela manhã. O Consulado ainda não foi informado oficialmente pela Polícia francesa.

Simone celebrava Yemanjá na França

Nascida no Lobato, na Cidade Baixa, no subúrbio de Salvador, Simone Barreto, 44, estava na a França "há pelo menos 30 anos". Simone tinha formação de cozinheira e atualmente trabalhava como cuidadora de idosos. Ela tinha nacionalidade francesa.

Segundo membros da Ala Mulheres na Resistência da Lavagem da Madeleine, evento cultural brasileiro que acontece há 19 anos em Paris, Simone e suas irmãs "participaram da Ala em 2019 e não vieram este ano por causa da Covid-19". Ela teria vindo a Paris em 2019 com uma filha, ainda bebê.

Além disso, Simone era agitadora cultural em Nice e teria organizado, com suas irmãs e primas, a Festa de Yemanjá de Nice.

A reportagem da RFI falou com a Delegacia Central de Polícia de Nice, que não confirmou a informação, pois o delegado responsável pela Imprensa "teve um dia muito duro" e não faria plantão na noite desta quinta-feira.

'Atroz atentado', diz governo brasileiro

Em nota, o governo brasileiro afirmou que "deplora e condena veementemente o atroz atentado" ocorrido hoje dentro da Basílica Notre-Dame de Nice.

"O Governo brasileiro informa, com grande pesar, que uma das vítimas fatais era uma brasileira de 40 anos, mãe de três filhos, residente na França. O Presidente Jair Bolsonaro, em nome de toda a nação brasileira, apresenta suas profundas condolências aos familiares e amigos da cidadã assassinada em Nice, bem como aos das demais vítimas, e estende sua solidariedade ao povo e Governo franceses.

O Brasil expressa seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação, e reafirma seu compromisso de trabalhar no combate e erradicação desse flagelo, assim como em favor da liberdade de expressão e da liberdade religiosa em todo o mundo.

Neste momento, o Governo brasileiro manifesta em especial sua solidariedade aos cristãos e pessoas de outras confissões que sofrem perseguição e violência em razão de sua crença.

O Itamaraty, por meio do Consulado-Geral em Paris, presta assistência consular à família da cidadã brasileira vítima do ataque terrorista."