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23/07/2004 - 15h48
Bill Gates, homem mais rico do mundo e um filantropo sempre sob suspeita

LOS ANGELES, Estados Unidos, 25 jul (AFP) - O jogo beneficente de Bill Gates, 48 anos, o homem mais rico do mundo, é claro como a matemática de sua enorme fortuna, provável motivo da sua ineficácia em afastá-lo das críticas das quais é constante alvo.

Ao divulgar na quarta-feira que distribuirá US$ 75 bilhões nos próximos quatro anos aos acionistas da sua empresa, Gates acrescentou US$ 3,3 bilhões à sua fortuna estimada em US$ 46 bilhões, já que possui 1,1 bilhão de ações da Microsoft, valor adicional que anunciou que doará à fundação que ele e a esposa criaram em 1997.

A rapidez com que associa seus ganhos, como o fez ao revelar nesta quarta-feira um dividendo recorde de três dólares da Microsoft, a doações milionárias à sua própria fundação beneficente não ajuda muito a melhorar sua imagem, apesar das grandes somas empregadas.

Para seus críticos, a filantropia de Bill Gates é apenas uma estratégia do proprietário de um grupo suspeito de práticas de monopólio para desviar a atenção dos problemas judiciais da gigante da informática.

Independentemente das críticas, a contribuição do homem mais rico do mundo é significativa. No ano passado, a fundação distribuiu US$ 1,2 bilhão, principalmente para projetos relacionados à educação e saúde no Terceiro Mundo. Em quatro anos de existência, empregou US$ 7,2 bilhões nesta luta.

"Nosso mundo, a nação e nossa região, hoje mais do que nunca, pode e deve melhorar de forma dramática a desigualdade na saúde, educação e acesso à informação e aos serviços humanitários por famílias vulneráveis", declarou Gates na quarta-feira, ao fazer a doação à sua fundação, uma das mais que receberam mais nos últimos tempos, cerca de US$ 30 bilhões.

A entidade injetou cerca de US$ 600 milhões na luta contra a Aids, malária e tuberculose e promete destinar mais US$ 478 milhões até o final de 2005. O dinheiro será destinado a projetos nos Estados Unidos, mas também na África do Sul, Índia e Tailândia.

"Uma coisa ficou clara: nós ainda não estamos fazendo o suficiente contra milhões de mortes causadas todos os anos por doenças como a Aids ou a Malária e que podem ser evitadas", declarou Bill Gates.

A fundação também doou US$ 1 bilhão em 1999 a um fundo cujo objetivo é ajudar os americanos negros a entrarem na universidade e também para aumentar o acesso à internet a partir de bibliotecas nos bairros desfavorecidos, que era a missão inicial da organização.

A fundação é co-dirigida atualmente pelo pai de Bill Gates, William H. Gates, e por Patty Stonesifer, responsável pelo estilo pragmático que distingue a organização. A executiva, assim como o chefe, faz parte da lenda da Microsoft. Membro da diretoria da empresa, milionária aos 40 anos, Stonesifer anunciou no final de 1996 que se afastava dos negócios para dedicar mais tempo ao marido e aos dois filhos. Entretanto, Bill e Melinda não a deixaram partir de vez e a colocaram à frente da fundação.

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