Por Edmund Blair
CAIRO (Reuters) - As cerimônias fúnebres de Yasser Arafat no Egito terminaram em confusão para muitas autoridades na sexta-feira, quando ministros e diplomatas foram barrados ou tiveram que aguardar transportes.
"É uma bagunça", disse uma autoridade árabe perdida no acostamento da estrada depois que o caixão com o corpo de Arafat entrou na base militar aérea, de onde seguiria para Ramallah.
A procissão começou com precisão militar, com o caixão de Arafat, envolto em uma bandeira palestina, sendo levado por uma carruagem seguida por reis, presidentes e ministros.
No entanto, depois que o caixão fez sua curta viagem pelo Cairo até a base aérea a organização se rompeu, mas sem o caos visto nas cenas de Ramallah.
Uma autoridade descreveu como um diplomata árabe foi barrado nos portões da base aérea e só conseguiu seguir a procissão depois de ser ajudado pelo secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que explicou aos seguranças qual era seu cargo.
"A vida de Yasser Arafat foi assim, sua morte não poderia ser diferente", acrescentou outra autoridade árabe, em uma alusão ao estilo de administração de Arafat, que confundia até mesmo seus assessores.
Uma autoridade ocidental disse que inúmeros dignitários foram proibidos de entrar no aeroporto militar até que guardas avistaram o presidente sírio, Bashar al-Assad, no meio da multidão barrada.
"Nós fomos tratados como ralé... até finalmente um guarda reconhecer Bashar al-Assad e nos deixar entrar, mas daí já era tarde demais, a cerimônia já tinha acabado, e o caixão, posto dentro do avião. Nós viemos até aqui para nada", disse uma autoridade ocidental depois do procedimento de 12 minutos.
"Onde está o carro? O avião sai daqui a meia hora", perguntava um membro da delegação européia para um segurança egípcio. Quinze minutos depois, a autoridade continuava no mesmo lugar.
Perto dali, o ministro francês das Relações Exteriores, Michel Barnier, dava um telefonema enquanto sua delegação esperava por transporte.
Outros ministros aguardavam na grama da estrada, entre eles o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, e o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Abdullah Gul. Mas as autoridades turcas aproveitaram o tempo para alguma diplomacia, conversando com um membro da delegação grega na sombra de algumas árvores.